A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou, nesta quinta-feira (26), a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A comissão investiga suspeitas de desvios no repasse de benefícios pagos a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social. O nome de Lulinha foi citado como um dos possíveis beneficiários do esquema apurado na Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal. Até o momento, ele não foi formalmente alvo da operação.
Investigadores apontam menções diretas e indiretas que indicariam Lulinha como suposto “sócio oculto” de Antonio Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”, apontado como intermediador do esquema. Antunes é acusado de receber valores descontados indevidamente de aposentados e pensionistas e repassar parte dos recursos a servidores do instituto.
Em depoimento à Polícia Federal, o ex-funcionário de Antunes, Edson Claro, afirmou que Lulinha receberia uma “mesada” de R$ 300 mil. O valor também teria sido citado em troca de mensagens entre Antunes e a empresária Roberta Luchsinger, segundo as investigações.
O presidente Lula já declarou publicamente que, “se tiver alguma coisa”, o filho deverá “pagar o preço”.
A CPMI também mira outras pessoas e instituições. O irmão do presidente, Frei Chico, preside o Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), entidade que é alvo de questionamentos na comissão. Dados apontam que, entre 2020 e 2024, os repasses do INSS ao sindicato cresceram 564%.
O pedido de quebra de sigilo foi apresentado pelo relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). Com a aprovação, a comissão poderá acessar extratos bancários, movimentações financeiras, declarações de Imposto de Renda e contratos de Lulinha para verificar se há registros compatíveis com a suposta transferência de valores.

