O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou mensagens de áudio para solicitar ao empresário e banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, auxílio para destravar um “ativo minerário” associado ao seu ex-assessor de gabinete e advogado Thiago Rodrigues de Faria.
Segundo apuração revelada pelo portal ICL, a gravação foi enviada em 30 de março de 2025. No diálogo, o parlamentar trata o banqueiro com tom de intimidade, usando termos como “Dani” e “lindão”, expressa o desejo de manter maior proximidade com o empresário e repassa o contato do advogado para que negociem diretamente a demanda que já teria passado por análise técnica.
Na mesma mensagem, o parlamentar aproveitou para retratar-se por críticas públicas que havia feito ao Banco Master no ano anterior, quando questionou o financiamento de um evento em Londres frequentado por ministros de tribunais superiores. Nikolas relatou ter conversado com o Pastor Valadão e admitiu arrependimento pelas postagens.
Conexão com a Operação Rejeito e alegações da defesa
Meses após a troca de mensagens, em setembro de 2025, o nome de Thiago Rodrigues de Faria passou a figurar em investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Rejeito. A ação policial apurou um esquema de extração ilegal de minério de ferro na região da Serra do Curral, em Minas Gerais.
Conforme apontado por apurações do jornal O Estado de Minas, a banca de advocacia do ex-assessor mantinha contrato de confiabilidade com empresas investigadas, incluindo a Gmais Ambiental e a Mineração Topázio Imperial, responsável por uma área de lavra ligada a uma barragem de alto risco em Ouro Preto. Os levantamentos da PF indicam que os contratos previam comissões milionárias em caso de liberação e venda dos direitos minerários.
Procurado para prestar esclarecimentos, Thiago Faria declarou que atua na área de mineração e minimizou o teor das perguntas, afirmando que o ativo enviado era de conhecimento público. O advogado alegou que nunca foi intimado ou chamado a depor pela Polícia Federal e sustentou não ter relação com as ilegalidades apuradas na operação.


