Salvador e municípios da Região Metropolitana devem enfrentar dias de instabilidade elevada, com previsão de acumulados expressivos de chuva e risco de alagamentos e deslizamentos. O cenário coloca a capital entre as áreas mais sensíveis do estado nos próximos dias.
A instabilidade é resultado da atuação simultânea de dois ciclones no Atlântico Sul, condição considerada incomum por especialistas. Um sistema extratropical já está formado em alto-mar, enquanto outro, ainda em organização, pode ganhar características subtropicais, fortalecendo o transporte de umidade sobre o Brasil.
Segundo a MetSul Meteorologia, essa configuração favorece a manutenção de um corredor de umidade que conecta o Sudeste ao Nordeste, ampliando a chance de precipitações persistentes. O Instituto Nacional de Meteorologia projeta que algumas áreas podem ultrapassar 100 milímetros em apenas 24 horas.
Na Bahia, os acumulados previstos ao longo da semana variam entre 100 mm e 200 mm, com possibilidade de alcançar marcas entre 200 mm e 400 mm em pontos isolados. O risco geológico preocupa principalmente em áreas de encosta e locais com solo já saturado.
O alerta também abrange regiões do interior, como Chapada Diamantina, Irecê e Bacia do Paramirim, onde a umidade acumulada aumenta a possibilidade de enxurradas e interdições em estradas.
Apesar da presença dos ciclones no oceano, não há previsão de ventos extremos atingindo diretamente o estado. No Sul do país, o principal reflexo do sistema tem sido a queda nas temperaturas, com registros abaixo dos 10°C no Rio Grande do Sul desde quinta-feira (26).
Especialistas reforçam que o maior desafio não está em episódios isolados, mas na persistência da chuva ao longo de vários dias, fator que pode agravar impactos em áreas vulneráveis da Bahia.


