Um dia após assinar a Medida Provisória que determina o fim das apostas esportivas e dos cassinos virtuais no país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender a decisão. Durante caminhada de campanha realizada neste sábado (26) em São Miguel, na Zona Leste de São Paulo, o petista reconheceu ter adotado uma “atitude muito drástica”, mas argumentou que a proliferação das plataformas se tornou uma “desgraça na vida das pessoas pobres”.
Acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin e de aliados políticos como Fernando Haddad, Simone Tebet e Marina Silva, Lula justificou a decisão relatando episódios dramáticos de famílias impactadas pelo vício em jogos e pelo endividamento acumulado.
Sei que aqui no meio tem gente endividada com bets, porque as bets viraram uma desgraça na vida das pessoas pobres. As pessoas se endividam. O filho joga escondido da mãe. O pai gasta às vezes o dinheiro da alimentação das crianças para tentar ganhar mais e perde”, discursou o presidente.
Ninguém fica rico apostando em bet. Quem fica rico é o dono da bet, o povo fica cada vez mais pobre”, completou.
No mesmo evento, Lula aproveitou para direcionar críticas à oposição e polarizar o cenário eleitoral para o pleito de outubro, comparando a atuação do seu governo com a de adversários políticos.
A decisão do governo, no entanto, gerou reação imediata da oposição. Também neste sábado, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) criticou a edição da MP e acusou o governo de agir por “desespero”, classificando o rival de “pai do Tigrinho” em declarações à imprensa.
A Medida Provisória assinada pelo Planalto encerra o modelo de apostas no Brasil e deve ser acompanhada de projetos de lei para regulamentar a transição e a fiscalização do setor.


