Documentos encaminhados pela Prefeitura de Salvador ao Supremo Tribunal Federal (STF) indicam que a gestão do prefeito Bruno Reis (União Brasil) autorizou intervalos maiores entre as viagens de ônibus em linhas estratégicas da capital baiana durante o segundo turno das Eleições 2026, no domingo (25). As informações foram reveladas em reportagem publicada pelo jornal O Globo, assinada pelo jornalista Bernardo Mello, nesta terça-feira (27).
De acordo com a apuração, um ofício enviado pela Secretaria Municipal de Mobilidade às concessionárias em 19 de outubro previa uma grade de horários reduzida em comparação aos dias úteis em linhas de grande movimento:
- Linha 1246 (Pirajá x Patamares): Previsão de intervalo de 70 minutos no domingo da eleição, contra 22 minutos nos dias úteis.
- Linha 141 (Estação da Lapa x HGE/Brotas): Intervalo previsto de 55 minutos, contra 22 minutos no cotidiano da semana.
- Linha 1328 (Estação Pirajá x Estação Mussurunga): Intervalos de 40 a 50 minutos, enquanto nos dias de semana a frequência é de 25 a 30 minutos.
- Linha 1324 (Estação Pirajá x Sete de Abril/Cajazeiras): Saídas previstas a cada 40 ou 50 minutos, contra 26 minutos nos dias úteis.
A situação gerou denúncias do Partido dos Trabalhadores (PT) por prejuízo ao deslocamento dos eleitores. Em meio aos transtornos, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA) determinou a liberação total da frota e chegou a decretar a prisão do secretário de Mobilidade, Pablo Souza, ordem que foi revogada nesta segunda-feira (26).
Fiscalização e justificativa da prefeitura
Em relatório de fiscalização na garagem do BRT, a equipe de inspeção registrou que a frota em circulação no domingo era inferior à dos dias úteis e informou que a empresa declarou estar “seguindo orientações” da secretaria municipal. Além disso, uma fiscalização do Procon-BA contabilizou 944 ônibus parados nas garagens das concessionárias no dia da votação, de um total de 1,7 mil veículos da frota da cidade.
O prefeito Bruno Reis contestou as acusações no STF, afirmando que a existência de ônibus estacionados é normal e faz parte da frota reserva obrigatória das empresas (de pelo menos 10%). A prefeitura também atribuiu os atrasos iniciais da manhã à colagem proibida de adesivos do PT nos vidros dos coletivos, informando que a operação foi normalizada por volta das 10h30.
Procurada pelo jornal O Globo para comentar a diferença nos horários e os relatos dos fiscais, a Prefeitura de Salvador não respondeu até a publicação da reportagem.


