A Justiça da província de Río Negro, na Argentina, condenou o anestesista Mauricio Javier Atencio Krause a três anos de prisão pela morte de um menino de quatro anos durante uma cirurgia. Segundo as investigações, o profissional se distraiu com o celular no momento em que deveria monitorar os sinais vitais da criança.
Além da pena de prisão, Krause foi proibido de exercer a medicina por sete anos e seis meses. Ele também deverá cumprir regras rigorosas de conduta por três anos, incluindo comparecimentos mensais ao tribunal e a obrigação de não cometer novos crimes.
O caso ocorreu no dia 11 de julho de 2024, na cidade de General Roca. A vítima, Valentín Mercado Toledo, havia sido internada para realizar uma cirurgia considerada de rotina para correção de uma hérnia diafragmática.
Durante o procedimento, o menino sofreu falta de oxigênio no cérebro, o que provocou morte cerebral. De acordo com os laudos apresentados no julgamento, Valentín ficou pelo menos dez minutos sem que a pressão arterial e a oxigenação fossem monitoradas, sem que o anestesista percebesse a situação.
As investigações apontaram ainda que o médico chegou a sair da sala de cirurgia para procurar um carregador para o celular, deixando o paciente sem acompanhamento adequado.
O processo foi movido pelos pais da criança, que denunciaram negligência médica. A defesa de Krause solicitou a aplicação da pena mínima por homicídio culposo e pediu que a proibição profissional fosse limitada apenas à área pediátrica, mas os pedidos foram negados.
Segundo a mãe do menino, após a cirurgia, Valentín passou por uma semana de “tratamento cruel”, marcada por diagnósticos confusos e incertezas. Sete dias depois, os médicos confirmaram que o dano cerebral era irreversível.
O caso gerou comoção na Argentina e reacendeu o debate sobre o uso de celulares por profissionais da saúde durante atendimentos e procedimentos médicos.

