A Petrobras mantém em andamento as negociações para uma possível recompra da Refinaria de Mataripe, em São Francisco do Conde, na Bahia. A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou nesta sexta-feira (7) que o ativo continua entre as alternativas avaliadas pela companhia para ampliar sua capacidade de refino no país, mas ressaltou que o crescimento do setor não está condicionado à conclusão do negócio.
“Isso está sobre a mesa. Não é segredo que a Petrobras pretende aumentar seu parque de refino com Mataripe ou sem Mataripe”, afirmou a executiva durante entrevista coletiva sobre os resultados da companhia.
A refinaria, antiga Refinaria Landulpho Alves (RLAM), foi vendida pela Petrobras em 2021 e passou a ser administrada pela Acelen, empresa controlada pelo fundo Mubadala Capital. Desde então, a unidade se tornou um dos principais ativos privados do setor de refino no Brasil e permanece no radar da Petrobras em meio às discussões sobre a retomada de investimentos na área.
A eventual recompra, no entanto, ainda depende da evolução das tratativas e de uma avaliação financeira considerada adequada pela estatal. Segundo Magda, a operação só deverá avançar caso o preço esteja de acordo com o valor de mercado do ativo.
“Esperamos que isso possa ser feito com Mataripe, mas, para isso acontecer, vamos ter de contar com um preço adequado ao valor de mercado do ativo”, declarou.
Petrobras quer ampliar participação no mercado de diesel
A possível retomada de Mataripe está inserida em uma estratégia mais ampla da Petrobras para aumentar a oferta de combustíveis produzidos no país. No Plano de Negócios 2026-2030, a estatal prevê elevar sua capacidade instalada de processamento de petróleo de cerca de 1,8 milhão para 2,1 milhões de barris por dia até 2030. A expansão considera projetos em unidades já existentes e não depende da construção de novas refinarias.
O planejamento também prevê aumento da participação do diesel na produção das refinarias, de 40% para 45% do total, além da ampliação da capacidade de produção de Diesel S-10. A Petrobras estima um acréscimo de 307 mil barris por dia na capacidade de produção do combustível até 2030, considerando projetos em execução e iniciativas ainda em avaliação.
Durante a apresentação das estratégias da companhia, Magda afirmou que a Petrobras pretende avançar até alcançar capacidade para atender integralmente à demanda brasileira por diesel, independentemente do desfecho envolvendo a refinaria baiana.
A estratégia inclui investimentos na modernização e expansão das refinarias já operadas pela Petrobras. Entre os projetos estão a conclusão do Trem 2 da RNEST, em Pernambuco, e iniciativas no Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro, além de intervenções para ampliar a produção de Diesel S-10 em outras unidades.
No plano de negócios, a Petrobras destinou US$ 15,8 bilhões à área de Refino, Transporte, Comercialização, Petroquímica e Fertilizantes. A companhia também prevê investimentos voltados à produção de combustíveis de menor intensidade de carbono, incluindo diesel renovável e combustível sustentável de aviação.
Apesar dos investimentos previstos, a possível recompra de Mataripe segue como uma alternativa estratégica. A estatal, porém, ainda não anunciou um acordo definitivo com a Acelen ou com o Mubadala Capital.


