Na 33ª semana de gestação, Tieta Drummond viveu um momento considerado histórico. Ela foi uma das primeiras mulheres a receber a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) em Brasília principal causador da bronquiolite em bebês. A campanha nacional de imunização pelo Sistema Único de Saúde (SUS) começou na última quinta-feira (4).
À espera da segunda filha, Tieta conta que, na primeira gravidez, não conseguiu se vacinar devido ao alto custo na rede privada.
“O preço da vacina contra o VSR era muito alto, e infelizmente não pude tomar. Quando soube que poderia me vacinar gratuitamente no SUS, fiquei muito feliz”, relatou.
A oferta inédita pelo SUS só foi possível após um acordo entre o Instituto Butantan e o laboratório responsável pela produção do imunizante, que prevê a transferência de tecnologia. Com isso, o Brasil passará a fabricar a vacina, ampliando a autonomia nacional e garantindo o acesso gratuito à população.
Neste ano, o Ministério da Saúde adquiriu 1,8 milhão de doses. O primeiro lote, com 673 mil vacinas, foi distribuído aos estados na última semana, possibilitando o início imediato da aplicação. O investimento total é de R$ 1,17 bilhão.
A chegada do imunizante também trouxe alívio para outras gestantes. Na 36ª semana de gravidez, Paloma Soares conseguiu se vacinar a tempo.
“É um ganho muito importante para todas as gestantes. Saber que meu filho e outras crianças vão ter essa proteção é um privilégio”, disse ela, que aguarda o quarto filho.
A bronquiolite é uma infecção viral comum em bebês e crianças menores de dois anos. Os sintomas costumam começar leves, mas podem evoluir rapidamente.
O vírus sincicial respiratório é responsável por cerca de 75% dos casos em recém-nascidos, e a vacinação é considerada a forma mais eficaz de proteção.
A vacina é destinada a todas as gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, sem restrição de idade. A recomendação é de apenas uma dose por gestação.
A imunização é considerada essencial, já que a maior parte das internações e mortes por bronquiolite ocorre no primeiro ano de vida da criança.
A médica Alexandra Saliba, que atua na rede pública, destaca a importância da ampliação do acesso.
“Já vi muitos casos graves de bronquiolite. Agora, com o imunizante, será possível proteger muitas crianças. É lindo fazer parte disso e saber que o SUS está proporcionando essa proteção a todas as gestantes”, afirmou.


