A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou um novo medicamento para o tratamento de pacientes com Parkinson avançado no Brasil. A autorização foi publicada nesta segunda-feira (25) no Diário Oficial da União.
O tratamento combina foscarbidopa e foslevodopa, substâncias derivadas da levodopa principal medicamento utilizado no controle dos sintomas motores da doença e será comercializado pela AbbVie com o nome Vyalev.
Segundo a farmacêutica, esta é a primeira terapia aprovada pela Anvisa baseada em infusão subcutânea contínua de levodopa por 24 horas. O objetivo é manter níveis mais estáveis da medicação no organismo, reduzindo oscilações motoras comuns nas fases mais avançadas da doença.
De acordo com o neurocirurgião Helder Picarelli, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), a doença de Parkinson provoca a diminuição da dopamina em uma região do cérebro conhecida como substância negra.
“Entre os medicamentos atualmente disponíveis, os mais eficazes são aqueles que aumentam a quantidade de dopamina no cérebro”, explicou o especialista.
Com a progressão do Parkinson, pacientes costumam alternar períodos em que os sintomas ficam controlados, chamados de momentos “on”, e fases em que os efeitos do medicamento diminuem, provocando tremores, rigidez e dificuldades motoras intensas, conhecidas como períodos “off”.
A nova terapia é indicada para pacientes que já não respondem adequadamente aos comprimidos tradicionais de levodopa.
O Vyalev utiliza uma bomba de infusão portátil, semelhante às bombas de insulina, responsável por liberar o medicamento continuamente no tecido subcutâneo.
Segundo especialistas, isso permite manter níveis mais constantes de levodopa e dopamina, reduzindo as oscilações do tratamento e diminuindo os períodos de piora dos sintomas.
A AbbVie informou ainda que o medicamento pode ser uma alternativa para pacientes que não podem ou não desejam realizar a estimulação cerebral profunda, cirurgia utilizada em casos avançados da doença.
Segundo a empresa, até 60% dos pacientes apresentam contraindicações ao procedimento devido a condições como demência, alterações graves de marcha ou instabilidade postural.
A aprovação da Anvisa foi baseada em um estudo de fase 3 realizado com cerca de 130 pacientes com Parkinson avançado, acompanhados durante 12 semanas.
De acordo com os resultados apresentados, os pacientes que receberam a infusão contínua tiveram aumento do tempo sem sintomas motores incapacitantes e redução dos períodos “off” em comparação ao tratamento oral tradicional.
Entre os efeitos adversos mais relatados estiveram reações no local da infusão, movimentos involuntários e alucinações. Segundo a farmacêutica, a maioria dos casos foi considerada leve ou moderada.

