O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, prestou um novo depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (13), no âmbito das ações penais relacionadas à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Cid, que firmou acordo de delação premiada com a Polícia Federal, foi ouvido à tarde e apresentou informações sobre três núcleos da trama golpista, que juntos reúnem 23 réus.
As investigações dividem os acusados em três núcleos específicos:
Núcleo 2 – Gerenciamento de ações: 6 acusados,Núcleo 3 – Ações coercitivas: 10 acusados,Núcleo 4 – Operações estratégicas de desinformação: 7 acusados.
De acrodo com o portal G1, o STF começou a ouvir testemunhas. O primeiro a depor foi Adiel Pereira Alcântara, ex-coordenador de inteligência da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Ele reafirmou declarações anteriores, dadas em maio, e apontou que a cúpula da PRF, sob ordens do então diretor-geral Silvinei Vasques, ordenou o reforço de abordagens a ônibus e vans no dia da eleição, com o objetivo de dificultar o deslocamento de eleitores. Segundo Adiel, a orientação era que a PRF “tomasse um lado”.
Outra testemunha ouvida foi Clebson Ferreira de Paula Vieira, servidor do Ministério da Justiça. Ele revelou que, durante o governo Bolsonaro, uma subsecretária da pasta solicitou análises que buscavam associar o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva a facções criminosas. O servidor relatou ter sido pressionado a produzir um relatório estatístico para verificar se havia correlação entre os territórios dominados pelo Comando Vermelho, no Rio de Janeiro, e a votação em Lula — especialmente em municípios onde o petista liderava com mais de 75% dos votos.
Também foi ouvido Éder Lindsay Magalhães Balbino, dono de uma empresa suspeita de colaborar na produção de materiais com desinformações sobre as urnas eletrônicas.
Mauro Cid já havia prestado depoimento ao STF em junho deste ano, no processo que apura as ações do chamado “núcleo crucial” da organização criminosa, no qual também é réu, ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro.


