O levantamento parcial das despesas da campanha à reeleição do deputado federal Dal Barreto (União Brasil) aponta a transferência de verbas eleitorais para empreendimentos pertencentes ao seu próprio patrimônio e de seus parentes.
Dados registrados na Justiça Eleitoral indicam que a Barreto Participações Societárias Ltda., da qual o parlamentar consta como sócio-administrador, recebeu R$ 160 mil da verba de campanha. Além disso, o Posto Baitinga Ltda., gerido por membros de sua família, foi contratado para o fornecimento de combustíveis e lubrificantes destinados aos veículos da equipe de propaganda.
A legislação eleitoral não veda a contratação de empresas ligadas a candidatos, desde que haja a efetiva prestação dos serviços, a compatibilidade dos valores com o praticado no mercado local e a apresentação de documentação fiscal detalhada. Como a maior parte da arrecadação da campanha é proveniente do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (Fefc), essas movimentações são acompanhadas com rigor pelo Ministério Público Eleitoral para evitar superfaturamento ou desvio de verbas públicas.
Histórico com a Polícia Federal
As movimentações financeiras ocorrem em meio aos desdobramentos da Operação Overclean, deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU), que investiga supostas fraudes em licitações, desvio de verbas e lavagem de dinheiro envolvendo o congressista.
Em etapas anteriores da investigação, agentes federais cumpriram mandados de busca em propriedades do deputado e em estabelecimentos do ramo de combustíveis associados à sua família na cidade de Amargosa, além de ações executadas no Aeroporto de Salvador.
Em pronunciamentos oficiais sobre o caso, o parlamentar e seus advogados negaram qualquer conduta ilícita e afirmaram colaborar integralmente com as autoridades para o esclarecimento dos fatos.


