O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) descartou disputar a Presidência da República nas eleições de 2026 e afirmou que o PSDB deve adotar uma postura de neutralidade no primeiro turno da corrida eleitoral.
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o parlamentar defendeu que a legenda evite se envolver na polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo Aécio, o partido chegou a discutir uma candidatura própria à Presidência e também avaliou apoiar uma alternativa de centro. No entanto, ele afirmou que, a poucos meses da eleição, ficou difícil romper a polarização do cenário político.
“Vamos dar um passo atrás para dar vários na frente e construir um projeto de Brasil a partir de agora já nestas eleições”, declarou.
O deputado também revelou que ainda não decidiu se disputará uma vaga no Senado por Minas Gerais, cargo que ocupou entre 2011 e 2019. De acordo com ele, a principal missão neste momento é reconstruir o PSDB e fortalecer a legenda para as eleições de 2030.
Antes de desistir de uma candidatura própria, Aécio afirmou que sondou a possibilidade de lançar o ex-ministro Ciro Gomes, que retornou recentemente ao PSDB. Entretanto, Ciro optou por disputar o Governo do Ceará.
Na avaliação do tucano, caso o segundo turno seja disputado entre Lula e Flávio Bolsonaro, o PSDB deverá se dividir internamente, com a maior parte dos filiados do Nordeste tendendo a apoiar o presidente petista.
Aécio também criticou a polarização política no país e afirmou que tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro se beneficiam desse cenário.
“Qualquer um que vença as eleições, infelizmente, nós vamos ter que nos preparar para mais quatro anos de um País dividido ao meio, porque essa divisão interessa aos dois extremos”, afirmou o deputado.

