A morte do empresário cearense Victor Gutemberg Bezerra Ramos, ocorrida dentro de um resort em Salvador, em 2022, voltou a ganhar repercussão após novos desdobramentos de uma investigação sobre um duplo homicídio registrado na Praia do Futuro, em Fortaleza. Os casos passaram a ser analisados diante de possíveis conexões entre as vítimas e pessoas investigadas.
Victor, de 29 anos, foi executado a tiros em agosto de 2022 enquanto estava na área externa do Catussaba Resort, na capital baiana. Segundo as investigações da época, homens armados chegaram pela faixa de areia da praia e efetuaram diversos disparos contra o empresário, que estava no local acompanhado de amigos.
O caso permaneceu sem conclusão definitiva sobre autoria e motivação, mas voltou ao radar da polícia após o assassinato de Renato Faria de Azeredo, de 34 anos, e André Luís Guellen, conhecido como “Foguinho”, mortos a tiros em abril de 2025, em Fortaleza.
As vítimas foram executadas dentro de uma caminhonete logo após deixarem uma barraca de praia na Praia do Futuro. De acordo com as investigações, os três homens mantinham relação próxima e atuavam juntos em negócios ligados ao setor de apostas online, além de também serem citados em investigações relacionadas à criação de galos e rinhas clandestinas.
Depoimentos prestados à polícia reforçaram a ligação entre eles. A companheira de Renato informou que o casal estava hospedado no mesmo resort em Salvador quando Victor foi morto. Já a esposa de André afirmou que soube do assassinato do empresário por meio do grupo de amigos em comum.
Apesar das conexões identificadas, a Polícia Civil ainda não confirmou oficialmente se os crimes possuem relação direta ou se fazem parte do mesmo contexto criminoso.
Prisões e investigação avançam
As apurações sobre o duplo homicídio em Fortaleza resultaram em prisões em diferentes estados. Logo após o crime, Gabriel Carlos do Nascimento Silva e Júlio César do Nascimento foram presos em Pernambuco e apontados como executores do ataque. Dias depois, outro suspeito, Ítalo Rafael Silva Santos, acabou localizado em Sergipe.
Mais recentemente, a polícia prendeu Dinailton Tavares Pereira, apontado como mandante do duplo homicídio. Ele foi encontrado em um hotel nas proximidades do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. A motivação do crime, no entanto, ainda não foi divulgada oficialmente pelas autoridades.
Políticos entram no foco da operação
O caso ganhou novos desdobramentos após operações policiais cumprirem mandados contra o presidente da Câmara de Vereadores de Jaboatão dos Guararapes, Getúlio Belém, e contra o ex-deputado estadual e ex-prefeito de Ribeirão, Clóvis Paiva, ambos em Pernambuco.
Segundo os investigadores, Getúlio Belém teria jogado o celular pela janela do apartamento no momento da chegada dos agentes. O aparelho foi recuperado pela polícia.
Já na casa de Clóvis Paiva, os policiais encontraram uma arma de uso restrito com numeração adulterada. Ele foi preso em flagrante por porte ilegal de arma.
A Polícia Civil informou apenas que os dois políticos possuem relação com pessoas investigadas no caso, mas destacou que ainda não há comprovação de participação direta deles nos homicídios.
Por meio de nota, Getúlio Belém negou envolvimento e afirmou estar à disposição da Justiça. As defesas de Clóvis Paiva e de Dinailton Tavares Pereira não haviam se manifestado até a última atualização do caso.


