O técnico do FC Bayern Munich, Vincent Kompany, se posicionou publicamente sobre o episódio de racismo envolvendo Vinícius Júnior durante partida da UEFA Champions League. Um dos poucos treinadores negros à frente de clubes nas cinco principais ligas da Europa, o belga afirmou que a reação do atacante brasileiro não pode ser questionada.
Segundo Kompany, a atitude de Vini em campo foi espontânea e emocional. Para ele, não haveria qualquer vantagem em levar a denúncia ao árbitro se não houvesse, de fato, uma situação grave. “Não há benefício algum para ele em assumir esse peso se não acreditasse que fosse a coisa certa a fazer naquele momento”, declarou.
O treinador também direcionou críticas ao comandante português José Mourinho, que comentou o comportamento do brasileiro após a partida. Para Kompany, ao questionar o caráter de Vini e mencionar a forma como o jogador comemora gols, Mourinho cometeu um erro de liderança.
“O líder de uma organização atacar o caráter de um atleta dessa forma é algo que não deveríamos aceitar”, afirmou.
Durante a entrevista, Kompany ainda rebateu a justificativa que citava Eusébio como argumento de que determinado clube não poderia ser racista por ter tido um ídolo negro no passado. O treinador lembrou o contexto histórico vivido por jogadores negros nas décadas de 1960 e 1970 e destacou que, naquele período, muitos atletas precisavam silenciar diante de episódios discriminatórios para conseguirem seguir carreira.
Ao relacionar a discussão ao próprio contexto familiar, Kompany disse que homens negros daquela geração frequentemente tinham como única alternativa “ser superiores a tudo e dez vezes melhores” para obter reconhecimento.
A declaração reforça o debate sobre racismo no futebol europeu e amplia a repercussão do caso envolvendo o atacante brasileiro.

