A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), classificou como uma possível “instrumentalização política” o inquérito aberto pela Polícia Federal contra o empresário. A investigação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, na quinta-feira (30).
O advogado Guilherme Suguimori disse, em entrevista ao site Metrópoles nesta sexta-feira (31), que há uma tentativa de encontrar “qualquer acusação” contra Lulinha e questionou a condução da investigação. As informações são do BNews.
“É um indicativo de que o Estado está instrumentalizando uma investigação. Se há uma pesca probatória focada em um indivíduo que é filho do presidente que vai correr nas próximas eleições, a primeira coisa que eu desconfio é de instrumentalização política”, declarou.
O advogado confessou que tomou conhecimento da abertura do inquérito pela imprensa e ainda não teve acesso aos documentos da investigação. Suguimori afirmou que pretende solicitar imediatamente o acesso aos autos para entender quais são os fundamentos da apuração.
“Eu fui pego de surpresa. Soube dessa notícia pelos jornais. Vou pedir acesso imediato a isso. Nós precisamos ver documentos, fatos, até se há uma nova teoria de investigação. Eu preciso conhecê-la adequadamente”, disse.
O defensor também criticou a forma como informações relacionadas ao caso têm chegado ao público antes dos advogados. Segundo ele, a defesa tem tomado conhecimento de movimentações da investigação por meio da imprensa.
“Tudo o que eu sei é o que vocês sabem. Na verdade, vocês provavelmente sabem mais do que eu, porque a pauta nesse inquérito tem sido assim. A imprensa avisa os advogados do que vai acontecendo. Nós raramente temos as notícias no inquérito”, afirmou.
O advogado negou ainda qualquer relação entre Lulinha e as fraudes envolvendo descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
“Isso aqui não tem nada a ver com o INSS. O que eu digo desde o começo é que o Fábio nunca teve ligação com o INSS”, afirmou.
O novo inquérito da Polícia Federal investiga suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo negócios relacionados à cannabis medicinal no Ministério da Saúde. A investigação busca verificar se Lulinha teria usado sua influência como filho do presidente Lula para facilitar negociações envolvendo sua amiga Roberta Luchsinger, proprietária de uma consultoria, e o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Antunes é apontado pela Polícia Federal como uma figura central nas investigações sobre descontos considerados ilegais em aposentadorias e pensões do INSS e está preso.

