O Hospital de Brotas, em Salvador, foi habilitado para atuar no processo de doação de órgãos e tecidos para transplantes. A autorização permite que a unidade conte com uma equipe multiprofissional responsável por identificar potenciais doadores, acompanhar diagnósticos de morte encefálica e prestar assistência às famílias.
A habilitação da Equipe de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (e-DOT) ocorreu em setembro de 2026, após acompanhamento da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), por meio da Coordenação do Sistema Estadual de Transplantes (Coset).
Administrado pelo Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS), o Hospital de Brotas é o primeiro hospital privado destinado exclusivamente ao atendimento de beneficiários do Planserv, sistema de assistência à saúde dos servidores públicos estaduais, que reúne mais de 500 mil usuários.
A equipe habilitada é formada por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais. Os profissionais acompanham diferentes etapas do processo, desde a identificação de possíveis doadores até o contato com as centrais de transplantes e o acolhimento dos familiares.
O trabalho também inclui o acompanhamento do diagnóstico de morte encefálica e a orientação às famílias sobre os procedimentos necessários para autorizar a doação.
O coordenador da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital, Leonardo Azevedo, destacou a importância de incorporar a prática à rotina da instituição.
A enfermeira Gilca Cirne, integrante da equipe, ressaltou que os profissionais de enfermagem participam de todas as etapas, incluindo a identificação de potenciais doadores, as notificações aos órgãos responsáveis e o acolhimento dos familiares.
O Brasil realizou 31.745 transplantes de órgãos, córneas e tecidos em 2025, segundo dados do Ministério da Saúde. Apesar do resultado histórico, a recusa familiar continua sendo um dos principais desafios para ampliar o número de procedimentos.
No mesmo período, foram contabilizados 4.335 doadores efetivos, conforme o Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Ainda de acordo com os dados apresentados, 45% das entrevistas com familiares de potenciais doadores terminaram sem autorização para a doação.
A enfermeira-coordenadora de Educação Permanente da Coset/Sesab, Carolina Sodré, destacou que a habilitação de unidades hospitalares contribui para ampliar as oportunidades de doação e transplante.
No Brasil, a doação de órgãos após a morte depende da autorização dos familiares. Por isso, além de manifestar o desejo de ser doador, é importante conversar com parentes sobre essa decisão.
Uma das formas de registrar essa vontade é por meio da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO), disponibilizada gratuitamente pelo Colégio Notarial do Brasil, em parceria com o Sistema Nacional de Transplantes.
O documento pode ser solicitado pela plataforma AEDO ou pelo sistema e-Notariado. No entanto, o registro não substitui a autorização familiar.
A possibilidade de doação também depende de avaliação médica, que considera as condições dos órgãos e tecidos e a existência de contraindicações. Quando atende aos critérios necessários, um único doador pode beneficiar até oito pessoas com a doação de órgãos.


