Após a primeira fase do cessar-fogo com Israel, o grupo Hamas iniciou uma série de ações para restabelecer seu controle sobre a Faixa de Gaza, território palestino marcado pelo caos da guerra nos últimos dois anos. As medidas incluem confrontos com facções rivais e execuções públicas, registradas em vídeo e disseminadas nas redes sociais.
Segundo autoridades locais, o Hamas mobilizou cerca de 7 mil combatentes do seu braço armado, as Brigadas Izzedine al-Qassam, para assumir o controle de áreas previamente ocupadas pelo Exército israelense. A ação inclui patrulhamento das ruas, controle de multidões durante a devolução de reféns e operação de unidades de segurança recém-criadas, conhecidas como Força de Dissuasão.
Confrontos com grupos armados rivais, como o clã Dughmush, têm sido frequentes. Apenas nesta terça-feira (14), houve embates no distrito de Shejaiya, no leste da Cidade de Gaza, que resultaram em pelo menos quatro mortos. No fim de semana, outro confronto envolvendo o Hamas e o clã Dughmush deixou mais de 20 vítimas. As execuções públicas, divulgadas pela rede al-Aqsa, foram apresentadas pelo grupo como medidas contra criminosos e supostos espiões de Israel.
O território de Gaza abriga outros grupos armados, incluindo a Jihad Islâmica e clãs familiares que, segundo o governo israelense, receberam apoio militar para se opor ao Hamas. Em junho, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, confirmou o fornecimento de armas a essas facções.
A população local demonstra reações divididas. Para alguns moradores, a presença do Hamas restabelece ordem e segurança após anos de deslocamentos e instabilidade:
“Começaram a organizar o trânsito e a desobstruir os mercados. Nos sentimos protegidos”, afirmou Abu Fadi al Banna, residente em Deir al-Balah.
Outros, porém, criticam as execuções públicas e a força empregada pelo grupo, apontando a ausência de investigação e julgamento justo:
“Aqueles que matam sem lei são criminosos. Somos testemunhas do capítulo mais sombrio da nossa história”, disse Mumen al-Natoor, advogado em Gaza.
Especialistas alertam que, mesmo com o cessar-fogo, o vácuo de poder no enclave ainda representa um desafio. O plano do presidente americano Donald Trump prevê um governo palestino tecnocrático e a criação de uma Força de Estabilização Internacional, mas não há cronograma definido para implementação dessas medidas.


