O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) atualizou, nesta semana, para 284 o número de cavalos mortos após consumirem rações produzidas pela empresa Nutratta Nutrição Animal Ltda. A pasta também informou que foi revogada a decisão judicial que permitia parcialmente a retomada da produção e venda de rações para outras espécies animais. Com isso, volta a valer a suspensão total das atividades da empresa, enquanto não forem sanadas todas as irregularidades apontadas.
As investigações do Mapa identificaram que a contaminação ocorreu por falhas no controle da matéria-prima, com a presença de resíduos de plantas do gênero Crotalaria, ricas em alcaloides pirrolizidínicos, como a monocrotalina — substância proibida e altamente tóxica para equídeos. Essa toxina ataca o fígado e pode causar a morte, dependendo da quantidade ingerida e do tempo de exposição.
A empresa Nutratta ainda não comprovou a correção dos problemas apontados. O Mapa, por sua vez, mantém as investigações em andamento e aguarda o resultado de análises de outros lotes de ração e matérias-primas. As medidas de fiscalização continuam, e novos lotes suspeitos seguem sendo recolhidos.
A denúncia inicial chegou ao Mapa em 26 de maio, por meio do canal Fala.BR, relatando mortes de cavalos em Elias Fausto (SP). Em 30 de maio, fiscais visitaram a propriedade e encontraram indícios de que a ração consumida poderia estar relacionada aos óbitos. Inspeções feitas na fábrica entre os dias 2 e 4 de junho confirmaram falhas nos processos de produção e controle de qualidade da empresa.
A partir de então, novas denúncias chegaram ao Ministério. Em todos os casos investigados, os animais que consumiram a ração da Nutratta adoeceram ou morreram, enquanto outros, alojados no mesmo ambiente mas sem ingestão do produto, permaneceram saudáveis.
Em 25 de junho, análises laboratoriais confirmaram a presença da monocrotalina nas rações. Desde então, o Ministério emitiu alerta para suspensão imediata do uso dos produtos da marca e abriu um processo administrativo para apurar o caso.
O Mapa reforça que seguirá atento a novas denúncias e manterá a sociedade informada com transparência e rigor técnico.


