Um esquema fraudulento envolvendo empréstimos consignados prejudicou milhões de beneficiários do INSS e gerou lucros milionários para empresas do setor. Pelo menos R$ 110 milhões foram repassados a instituições financeiras a partir de descontos ilegais aplicados em aposentadorias e pensões, segundo apuração do portal Metrópoles.
As investigações revelam que empresas do ramo recebiam comissões sobre os valores descontados dos contracheques dos aposentados que, muitas vezes, nem sabiam que haviam contratado o serviço. Ao todo, cerca de 9 milhões de beneficiários do INSS foram afetados pelos descontos indevidos.
Entre as empresas envolvidas está a Amar Brasil Clube de Benefícios, gerida por Américo Monte, um aposentado que teria recebido R$ 324 milhões desde 2022 por meio da associação. O filho dele, Américo Monte Jr., também proprietário de empresas de crédito consignado, já foi investigado por fraudes relacionadas à falsificação de assinaturas.
O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou um aumento expressivo nos descontos relacionados a mensalidades associativas, frequentemente atrelados aos empréstimos consignados. Entre 2023 e 2024, esses descontos cresceram quase três vezes. Além disso, o TCU constatou que mais de 482 mil filiações a associações ocorreram próximos às datas de contratação dos empréstimos, o que reforça a suspeita de adesões forçadas ou fraudulentas.
O esquema, que ficou conhecido como Operação Sem Desconto, envolve documentos, planilhas e quebras de sigilo bancário. A operação foi deflagrada em abril e resultou em consequências diretas no governo federal: o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e o ministro da Previdência, Carlos Lupi, foram exonerados após o avanço das investigações.


