Uma jovem de 22 anos morreu em Rio do Sul (SC) após sofrer um choque anafilático durante a realização de uma tomografia com contraste, nesta sexta-feira (20). O caso chama a atenção para os riscos considerados raros, mas possíveis do uso da substância em exames de imagem.
De acordo com especialistas ouvidos pelo g1, os episódios de reação grave são incomuns, mas reforçam a necessidade de investigação prévia sobre possíveis alergias.
O contraste é uma substância química, geralmente à base de iodo, bário ou gadolínio, administrada antes ou durante exames para melhorar a visualização de órgãos e tecidos. Ele aumenta a diferença de densidade ou de sinal entre estruturas do corpo, permitindo que alterações, como tumores, inflamações e obstruções vasculares, sejam detectadas com mais precisão.
A cirurgiã do aparelho digestivo Vanessa Prado, do Hospital Nove de Julho, explica que cada exame exige um tipo específico:
iodo, mais comum em tomografias;
bário, usado no aparelho digestivo;
gadolínio, empregado em ressonâncias magnéticas.
Apesar de seguros, os contrastes podem causar reações adversas em alguns pacientes. O coordenador do Núcleo de Alergia do Hospital Sírio-Libanês, Luis Felipe Ensina, aponta que a substância pode ativar células inflamatórias, liberando histamina e outros mediadores químicos.
“O paciente pode apresentar desde sintomas leves, como náusea, calor e urticária, até quadros graves, como broncoespasmo, edema de glote e choque anafilático”, detalha o radiologista Augusto Villela Polonia, do Colégio Brasileiro de Radiologia.
Estudos mostram que reações leves ao contraste iodado moderno ocorrem em até 3% dos pacientes. Já os quadros graves são muito mais raros, variando entre 0,01% e 0,04%. No caso do gadolínio, a taxa de reações graves é ainda menor: cerca de 0,001%.


