A queda da patente de medicamentos à base de semaglutida abriu espaço para uma disputa entre farmacêuticas no Brasil. Com isso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária analisa atualmente uma série de pedidos para liberar novas opções no mercado, ampliando a concorrência com produtos já conhecidos como Ozempic e Wegovy.
Hoje, há 17 solicitações em tramitação na agência, sendo que parte delas já avançou para fases mais detalhadas de avaliação. Pelo menos oito envolvem diretamente medicamentos com semaglutida, substância utilizada principalmente no tratamento de diabetes tipo 2 e também para controle de peso.
Entre os processos mais adiantados estão os das farmacêuticas EMS, Ávita Care e Cristália. Essas empresas já receberam exigências técnicas da Anvisa e precisam responder aos questionamentos em até 120 dias. A rapidez na liberação dependerá da qualidade dessas respostas.
Avaliação mais rigorosa
Segundo técnicos da agência, a análise desses medicamentos exige atenção redobrada. Isso porque a semaglutida apresenta características que a colocam entre fármacos sintéticos e biológicos o que amplia os critérios de segurança, eficácia e qualidade.
Entre os pontos avaliados estão:
• possibilidade de reação do organismo (imunogenicidade);
• controle de impurezas do processo produtivo;
• precisão dos métodos de análise da substância.
Esse nível de exigência explica por que o processo tende a ser mais demorado.
O que muda com o fim da patente
O encerramento da exclusividade da farmacêutica Novo Nordisk não retira seus produtos do mercado, mas permite que outras empresas desenvolvam alternativas com o mesmo princípio ativo.
Apesar disso, não haverá versões genéricas tradicionais. Como a semaglutida é considerada um medicamento biológico complexo, o que deve surgir são versões similares e não cópias idênticas.
Preço pode cair, mas não imediatamente
A expectativa é de redução de preços com o aumento da concorrência, embora isso não aconteça de forma imediata. Como ainda não há novos produtos aprovados, o impacto no bolso do consumidor deve levar algum tempo.
Além disso, sem a presença de genéricos e com versões ainda em desenvolvimento, a tendência de queda pode ser mais moderada no curto prazo.
Uso no SUS ainda é incerto
Por enquanto, medicamentos com semaglutida seguem fora do Sistema Único de Saúde. Avaliações anteriores apontaram custo elevado como principal entrave, com estimativas de bilhões em gastos anuais.
No entanto, com o aumento da concorrência após o fim da patente, existe a possibilidade de que o tema volte a ser discutido futuramente.
A decisão final, porém, ainda depende de novos estudos e da viabilidade econômica para o sistema público.

