O recente caso envolvendo a cantora Karen Silva, de 17 anos, ex-participante do The Voice Kids, que morreu após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC), trouxe à tona uma preocupante realidade: o aumento da incidência dessa doença entre pessoas jovens.
Tradicionalmente associado ao público mais velhos, o AVC, também tem se manifestado com maior frequência em faixas etárias mais jovens. Em entrevista ao Liga da Notícia, o neurologista Dr. Jamary Oliveira Filho, coordenador do serviço de neurologia do Hospital Mater Dei Salvador e professor titular de Neurociências da Universidade Federal da Bahia (UFBA), apresentou três fatores principais contribuem para esse cenário.
Segundo ele, o primeiro é o aumento do consumo de substâncias como tabaco e drogas ilícitas entre os jovens. “Enquanto campanhas de combate ao tabagismo têm reduzido significativamente o número de fumantes entre adultos e idosos, os jovens apresentam uma tendência oposta, com crescente uso dessas substâncias”, explicou.
“O segundo fator é a heterogeneidade das causas do AVC em jovens. Diferentemente dos adultos, cujos fatores de risco como hipertensão, diabetes e dislipidemia são bem definidos e tratados, os jovens apresentam causas mais variadas, tornando a prevenção mais complexa. O terceiro aspecto é a menor preocupação da juventude com a própria saúde. Muitos negligenciam sinais de alerta e não realizam check-ups regulares, o que dificulta a detecção precoce de fatores de risco”, alertou o especialista.
Ainda na entrevista, o neurologista citou algumas recomendações que podem ajudar o AVC. “Praticar atividade física regularmente, adotar uma dieta saudável, rica em proteínas e com baixo teor de gorduras, realizar exames médicos periódicos para monitorar níveis de colesterol, triglicerídeos e pressão arterial, combater a obesidade por meio de hábitos de vida saudáveis”.
“A conscientização sobre os riscos e a adoção de medidas preventivas são essenciais para reverter essa tendência e proteger a saúde dos jovens”, aconselhou Jamary.
Sintomas
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) acontece quando vasos que levam sangue ao cérebro entopem ou se rompem, provocando a paralisia da área cerebral que ficou sem circulação sanguínea.
Existem dois tipos de AVC e que ocorrem por motivos diferentes. São eles: o AVC hemorrágico, que ocorre quando há rompimento de um vaso cerebral, provocando hemorragia, e o AVC isquêmico, quando há obstrução de uma artéria, impedindo a passagem de oxigênio para células cerebrais, que acabam morrendo.
Existem alguns sinais que o corpo emite e que ajudam a reconhecer um Acidente Vascular Cerebral. Segundo o Ministério da Saúde, os principais sinais de alerta para qualquer tipo de AVC são: confusão mental, alteração da fala ou compreensão, alteração na visão (em um ou ambos os olhos), dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparente, alteração do equilíbrio, coordenação, tontura ou alteração no andar, fraqueza ou formigamento em um lado do corpo (rosto, braço ou perna).
O órgão orienta que, caso qualquer um desses sintomas apareçam, é fundamental ligar para o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU – 192), Bombeiros (193) ou levar a pessoa imediatamente a um hospital para avaliação clínica detalhada. Quanto mais rápido for o atendimento, maiores serão as chances de sobrevivência e recuperação total.
Diagnóstico
O diagnóstico do AVC é feito por meio de exames de imagem, que permitem identificar a área do cérebro afetada e o tipo do derrame cerebral. Tomografia computadorizada de crânio é o método de imagem mais utilizado para a avaliação inicial do AVC isquêmico agudo, demonstrando sinais precoces de isquemia.


