Um bebê de dois meses precisou amputar parte do pé após complicações em um hospital público no sul da Bahia. A família da criança acusa a equipe médica de negligência durante o tratamento inicial de bronquiolite, inflamação comum em crianças pequenas.
O caso aconteceu no Hospital Materno-Infantil Doutor Joaquim Sampaio, em Ilhéus. De acordo com a mãe do menino, Sara Ribeiro, a infecção começou após uma medicação aplicada por acesso venoso ter vazado no calcanhar do bebê. O problema teria sido ignorado pelos profissionais de saúde, mesmo após alertas da própria mãe.
“Na hora, o médico achou que era urina. Só depois percebeu que era o remédio”, afirmou Sara. Segundo ela, a ferida se agravou ao longo de dias, sem intervenção adequada, até levar à necrose. A criança foi transferida para o Hospital Geral do Estado (HGE), em Salvador, semanas depois — e só após decisão judicial. Lá, os médicos indicaram a amputação como única alternativa.
Ainda conforme o relato, o pedido de transferência foi feito com urgência, mas só foi atendido 22 dias depois. “Foi desesperador. Vi o pé do meu filho piorar a cada dia. No fim, eu mesma tive que autorizar a amputação”, desabafou a mãe, emocionada.
O Ministério Público da Bahia já iniciou apuração do caso. Segundo o promotor Pedro Nogueira Coelho, a investigação incluirá uma análise técnica dos prontuários para apurar se houve falhas ou conduta inadequada da equipe médica. A Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) também acompanha o caso e avalia a conduta dos profissionais envolvidos.


