A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tentou antecipar um possível cenário de prisão após a condenação por tentativa de golpe de Estado e, na sexta-feira (21), solicitou ao ministro Alexandre de Moraes que qualquer detenção fosse cumprida em regime domiciliar. O Supremo Tribunal Federal (STF), porém, só analisou o pleito no sábado (22) dia em que Bolsonaro já havia sido preso preventivamente e decidiu negar o pedido.
Na decisão, Moraes afirmou que o requerimento perdeu objeto, já que a prisão cautelar havia sido executada momentos antes pela Polícia Federal (PF). Para o ministro, a detenção transformou o pedido da defesa em uma demanda “prejudicada”.
A estratégia jurídica, no entanto, não se limitou à solicitação de prisão em casa. Os advogados também encaminharam ao STF um laudo médico detalhando dez problemas graves de saúde enfrentados por Bolsonaro. O documento foi apresentado no âmbito da condenação a 27 anos de prisão por tentativa de golpe um processo distinto da prisão preventiva realizada no sábado.
Bolsonaro foi detido após dois episódios que, segundo a PF, configuraram descumprimento de medidas impostas pela Justiça: a realização de uma vigília religiosa organizada por um dos filhos do ex-presidente e uma tentativa de violação da tornozeleira eletrônica.
Repercussão
A prisão do ex-chefe do Executivo gerou forte movimentação política. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que havia visitado Bolsonaro dias antes, declarou que o ex-presidente não resistiria a uma prisão devido ao seu estado de saúde.
A repercussão também atravessou fronteiras. A detenção esteve em destaque em veículos internacionais como El País (Espanha), Clarín (Argentina), France24 (França) e The Washington Post (Estados Unidos). Agências de notícias como Reuters, Associated Press e Bloomberg também noticiaram o caso, ampliando sua visibilidade global.


