Em discurso durante um evento das Nações Unidas sobre defesa da democracia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que é preciso reconhecer os erros cometidos pelos democratas que abriram espaço para o crescimento da ultradireita no mundo.
“Antes de procurar as virtudes do extremismo de direita, nós temos que procurar os erros que a democracia cometeu na relação com a sociedade civil, como é que nós estamos defendendo a democracia no nosso país. Se a gente não encontrar resposta, vamos continuar sendo sufocados pelo negacionismo, pelo extremismo e pelo discurso fascista”, declarou.
A fala ocorreu na manhã desta quarta-feira (24), durante o segundo encontro de alto nível Em Defesa da Democracia: Lutando contra o Extremismo, realizado em paralelo à Assembleia-Geral da ONU. A iniciativa foi organizada pelos governos de Brasil, Espanha, Chile, Uruguai e Colômbia, reunindo cerca de 15 chefes de Estado e três representantes ministeriais.
Diferente de 2024, os Estados Unidos não participaram desta edição. Segundo fontes ouvidas pela agência Reuters, a ausência foi resultado de decisão brasileira, sob o argumento de que não seria possível convidar um governo que ataca as instituições nacionais.
No discurso, Lula também criticou a prática de governos progressistas que, segundo ele, chegam ao poder com um discurso de esquerda, mas acabam cedendo às pressões do mercado e de adversários. “Muitas vezes, os nossos eleitores que foram às ruas, que apanharam, que foram achincalhados, são considerados por nós sectários e radicais. Esse é o fracasso da democracia. O que nós deixamos de fazer?”, questionou.
O primeiro encontro da iniciativa ocorreu em julho, no Chile, e resultou em uma declaração conjunta assinada pelos líderes participantes.


