O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou a procuradora Márcia Eliza de Souza como nova diretora de Benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A escolha reforça a estratégia do governo de enfrentar os escândalos de fraudes que atingiram milhões de beneficiários do instituto nos últimos anos.
Márcia Eliza ganhou notoriedade em 2019, ao liderar ações contra descontos indevidos em aposentadorias realizados por entidades que se aproveitavam de Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) firmados com o INSS. Na época, ela conseguiu suspender os repasses feitos à Associação Brasileira de Aposentados, Pensionistas e Idosos (Asbapi), após inquérito aberto pelo Ministério Público de São Paulo.
Com o avanço das investigações, o INSS rescindiu os acordos com outras três entidades suspeitas: Abamsp, Anapps e Centrape. O impacto financeiro foi significativo: a Anapps, que havia faturado R$ 28 milhões, arrecadou apenas R$ 320 no ano seguinte. A Abamsp caiu de R$ 52 milhões para R$ 188. A Centrape, que recebeu R$ 45 milhões, movimentou apenas R$ 125. A Asbapi não teve arrecadação alguma em 2020.
A atuação resultou ainda na devolução de R$ 14 milhões aos segurados em outubro de 2019, além do bloqueio de R$ 57 milhões em repasses a outras entidades.
A nomeação de Márcia ocorre em meio ao maior escândalo já registrado no instituto. Em 2025, veio à tona a revelação de fraudes que causaram prejuízos estimados em até R$ 8 bilhões, afetando cerca de 9 milhões de aposentados e pensionistas. O esquema, investigado pela Operação Sem Desconto, envolvia descontos mensais indevidos nos benefícios, disfarçados de mensalidades associativas.
As entidades envolvidas não prestavam os serviços prometidos e se amparavam em acordos com o INSS que dispensavam autorização prévia dos beneficiários para efetuar os descontos.


