O Governo Federal, por meio do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, e do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviou nesta segunda-feira (15) uma carta às autoridades norte-americanas em protesto à decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifas de importação de 50% sobre todos os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.
O comunicado, endereçado ao Secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e ao Representante de Comércio norte-americano, Jamieson Greer, expressa “indignação” com o anúncio feito no último dia 9. Segundo o governo brasileiro, a medida ameaça setores estratégicos das duas economias e coloca em risco uma parceria histórica de cooperação entre os dois países.
“Nos dois séculos de relacionamento bilateral entre o Brasil e os Estados Unidos, o comércio provou ser um dos alicerces mais importantes da prosperidade entre as duas maiores economias das Américas”, destacam os ministros.
O texto também reforça que o Brasil tem buscado manter o diálogo com os EUA desde abril, quando as primeiras tarifas recíprocas foram anunciadas. De acordo com dados do próprio governo norte-americano, o Brasil acumula déficit comercial de cerca de US$ 410 bilhões com os Estados Unidos nos últimos 15 anos, somando bens e serviços.
Em 16 de maio, o Brasil apresentou uma proposta confidencial com sugestões de áreas para negociação, mas até o momento não recebeu retorno. Diante da urgência, o governo brasileiro reiterou o pedido por comentários e reafirmou a disposição para negociar uma solução conjunta que evite prejuízos maiores ao comércio bilateral.
“A imposição das tarifas terá impacto muito negativo (…) e o Brasil permanece pronto para dialogar em busca de uma solução mutuamente aceitável”, conclui o documento.


