A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou, por unanimidade, a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, o ex-deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, e o desembargador Macário Júdice Neto, do TRF-2. Com a decisão proferida em sessão virtual, os envolvidos, acompanhados de uma esposa e um assessor, tornaram-se réus por obstrução de investigação contra organização criminosa armada.
A denúncia do Ministério Público Federal aponta que o grupo agiu de forma coordenada para vazar e atrapalhar o cumprimento de mandados da Operação Zargun, deflagrada em setembro de 2025 para combater o tráfico internacional de armas e a lavagem de dinheiro do Comando Vermelho. Segundo as investigações, o desembargador teria repassado detalhes sigilosos da operação a Bacellar durante um jantar, que, por sua vez, alertou TH Joias.
O processo revela ainda que, após a prisão de investigados, um dos assessores utilizou o serviço de nuvem para acionar o bloqueio remoto de um celular apreendido pela Polícia Federal, tentando apagar provas do aparelho. As defesas dos acusados alegaram falta de provas, cerceamento do direito de defesa e contestaram a competência do STF para julgar o caso.
No entanto, o relator, ministro Alexandre de Moraes, rejeitou os recursos, destacando a conexão direta das condutas com investigações mais amplas sobre a infiltração de organizações criminosas no aparato público do Rio de Janeiro.


