A Polícia Federal identificou pagamentos de aproximadamente R$ 7,9 milhões em propina a agentes públicos relacionados a contratos firmados no município de Campo Formoso, no norte da Bahia. As apurações fazem parte da Operação Overclean, que investiga desvios de emendas Pix no estado, conforme informações do UOL.
Segundo a PF, os empresários Alex e Fábio Parente, donos da Allpha Pavimentações, teriam oferecido suborno em troca da assinatura de dois contratos de pavimentação, que juntos renderam R$ 51 milhões pagos pela prefeitura. As obras foram custeadas com emendas de relator indicadas pelo deputado federal Elmar Nascimento (União-BA), por meio da Codevasf.
As investigações apontam que os pagamentos eram feitos de forma sistemática, com transporte de valores por via terrestre e aérea. Mensagens interceptadas revelam diálogos sugestivos, como uma em que Clebson escreveu: “Tô com um negócio pra te entregar”.
A PF também identificou indícios de que, antes desses contratos, o deputado teria recebido propina em outro esquema envolvendo a Larclean, empresa de limpeza urbana controlada pelos mesmos empresários, contratada pela prefeitura em 2022.
Em nota, Elmar Nascimento negou irregularidades: “Desconheço eventuais aplicações indevidas de valores provenientes de emendas parlamentares, já que não compete a deputados federais realizar licitações municipais ou ordenar despesas municipais”. Ele criticou ainda a divulgação de informações pela PF, classificando-as como “especulações maliciosas e seletivamente vazadas à imprensa”, sem aval da Procuradoria-Geral da República ou do ministro relator.

