A Justiça determinou o afastamento da policial militar Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, envolvida na morte de Thawanna Salmázio, atingida por um disparo durante uma abordagem na Zona Leste de São Paulo. A decisão, assinada na quarta-feira (22), estabelece uma série de medidas cautelares enquanto o caso segue sob investigação.
Entre as determinações, a agente está proibida de portar arma de fogo, de se aproximar de testemunhas ou familiares da vítima e de deixar a comarca sem autorização judicial. Além disso, deverá cumprir recolhimento domiciliar no período noturno, entre 22h e 5h. O juiz responsável pelo caso apontou a existência de indícios suficientes de autoria e materialidade do crime para justificar as restrições.
O pedido pelas medidas partiu da própria Polícia Militar, com aval do Ministério Público. Procurada, a Secretaria da Segurança Pública informou que não comenta decisões judiciais.
Abordagem terminou em morte
O episódio ocorreu na madrugada do dia 3 de abril, no bairro de Cidade Tiradentes. Thawanna caminhava ao lado do marido quando houve contato com uma viatura em patrulhamento — o braço dele teria encostado no retrovisor do veículo. A partir daí, a situação evoluiu para uma discussão.
Imagens registradas pela câmera corporal de um dos policiais mostram o momento em que a abordagem se intensifica. Yasmin desce da viatura e, após uma reação da vítima, efetua o disparo. Logo após o tiro, o colega de equipe questiona a ação, e a policial afirma ter reagido após ser agredida.
Especialistas ouvidos pela TV apontam que a abordagem apresentou falhas desde o início, fugindo dos protocolos recomendados e se aproximando de um confronto pessoal.
Demora no socorro é investigada
Outro ponto sob análise é o intervalo entre o disparo e o atendimento à vítima. Registros indicam que o pedido de socorro foi feito às 2h59, mas o resgate só chegou ao local por volta das 3h30.
Durante esse período, houve troca de informações via rádio e alterações no envio da ambulância, o que pode ter contribuído para o atraso. Profissionais da área de emergência avaliam que o tempo de resposta pode ter sido decisivo para o desfecho.
Thawanna chegou a ser encaminhada a uma unidade de saúde, mas não resistiu. O laudo do Instituto Médico Legal apontou hemorragia interna como causa da morte.
A Polícia Civil segue investigando as circunstâncias do caso, incluindo a conduta da policial e a possível falha no atendimento. Paralelamente, a corregedoria da Polícia Militar deve apurar eventuais responsabilidades administrativas.

