O Ministério Público da Bahia (MP-BA) instaurou um Inquérito Civil Público (ICP) para apurar 14 possíveis irregularidades atribuídas à Universidade Salvador (Unifacs). As denúncias envolvem cobranças indevidas, problemas na concessão e manutenção de bolsas de estudo, precarização da qualidade do ensino e dificuldades impostas aos alunos para trancamento de matrícula ou transferência.
Entre as principais queixas relatadas por estudantes estão cobranças consideradas abusivas, negativa ou redução arbitrária de bolsas, omissão de informações relevantes, além de entraves administrativos que dificultam o acesso a documentos acadêmicos.
Ex-aluna da instituição, Débora Borges relata que enfrenta dificuldades há mais de um ano para obter a segunda via do diploma de Ciências Contábeis. “O atendimento ao aluno egresso é péssimo e também há promessas falaciosas para atrair alunos novos. Essas promessas servem para bater metas no processo de venda e receber um possível valor que chamamos de earn out”, afirmou.
Segundo Débora, os problemas não se restringem à Unifacs. Outras instituições pertencentes ao grupo Ânima, que adquiriu a universidade, também acumulam reclamações semelhantes em diferentes estados do país.
“Houve audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro sobre o assunto. Em Curitiba também houve mobilização. Muitas queixas envolvem propaganda enganosa, cobranças indevidas, dificuldades para rematrícula, transferência e obtenção de documentos”, relatou.
Ainda de acordo com a ex-aluna, o inquérito foi instaurado em 9 de dezembro de 2025, mas as reclamações contra o grupo Ânima se repetem desde 2023 em outros estados. “Para a Unifacs, é mais barato pagar condenações judiciais de dois a quatro mil reais do que se adequar e parar com a propaganda enganosa”, desabafou.
Ela também afirma que a universidade não aceita acordo com o MP-BA. “A promotora orientou o ingresso na Justiça. Alerta-se que existem remédios administrativos, como medidas do CADE, que deveriam ser aplicados desde a venda para a Ânima e não estão sendo cumpridos. Houve diversas audiências no MP-BA e a Unifacs não compareceu”, acrescentou.
Informações do BNews*


