Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm tratado com cautela a possibilidade de uma eventual prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em meio às investigações sobre tentativa de golpe de Estado. A avaliação interna é de que, embora juridicamente possível, o gesto seria politicamente arriscado e pouco provável neste momento.
A discussão ganhou força após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), cobrar explicações da defesa de Bolsonaro por suposto descumprimento de medidas cautelares, como a proibição de contato com outros investigados e restrições sobre aparições públicas.
Apesar da expectativa de setores da esquerda por uma decisão mais dura, fontes do Planalto ouvidas pela coluna de Igor Gadelha apontam que Moraes deve se limitar a esclarecer os limites das cautelares, sem recorrer a uma ordem de prisão. A avaliação é que o ministro tende a adotar uma postura mais institucional até que haja elementos mais robustos para justificar a medida extrema.
Aliados do presidente Lula também expressam preocupação com possíveis reações da base bolsonarista e consideram que uma prisão sem condenação definitiva poderia acirrar ainda mais o ambiente político. Alguns integrantes do governo veem, inclusive, exagero na tentativa de impedir o ex-presidente de conceder entrevistas, o que poderia colidir com princípios constitucionais como a liberdade de expressão e de imprensa.
A lembrança de que Lula, em 2018, foi impedido de falar com jornalistas enquanto estava preso em Curitiba reforça o argumento da cautela. No atual cenário, a aposta majoritária dentro do governo é de que Bolsonaro só será preso após julgamento e condenação no STF — caso descumpra de forma evidente as restrições ou apareçam novas provas graves.


