Conhecido como “Senhor das Armas” no mundo do crime, Josias Bezerra Menezes, de 41 anos, foi preso por ligação direta com o Comando Vermelho (CV) e por intermediar o envio de armamentos pesados e veículos clonados para facções criminosas. Ex-pastor evangélico, Josias é apontado como elo entre o CV do Rio de Janeiro e o grupo criminoso regional Bando do Magrelo, que disputa território com o PCC no interior de São Paulo.
A prisão aconteceu em 27 de fevereiro deste ano, quando seu celular foi apreendido pela Polícia Civil paulista. A análise dos dados revelou mensagens com um policial militar corrupto, que tratava Josias como “o que abençoa” — expressão que, no contexto, indicava que ele tinha poder de decisão sobre execuções dentro da organização criminosa.
As conversas interceptadas revelam que Josias autorizava mortes, negociava fuzis e participava da logística de roubos e transporte de armas. Parte do armamento oferecido por ele seria proveniente do assalto à casa de um guarda civil municipal, ocorrido em 23 de novembro do ano passado, em Araras. Na ocasião, criminosos encapuzados, com acesso a controle e chave, renderam o guarda e sua esposa, e roubaram fuzis, pistolas, munições, joias e eletrônicos de um cofre. A suspeita é que o genro da vítima, também GCM, tenha informado os bandidos.
Josias já havia sido preso em 2018, após ser flagrado com sete fuzis, duas pistolas, dois revólveres e mais de 500 munições, em um veículo de luxo na Rodovia Presidente Dutra, no Rio de Janeiro. Condenado a quatro anos e seis meses de prisão, voltou a atuar após ganhar liberdade.
Segundo a Polícia Civil, a quadrilha articulada por ele operava em Limeira, Araras, Leme, Conchal e cidades do sul do país, com o objetivo de dominar a chamada “Rota Caipira”, utilizada para transportar armas e cocaína vinda da Bolívia e Colômbia.


