O delegado da Polícia Civil Gilmar Pereira Nogueira, conhecido como “Tingão”, é investigado por suposta participação em uma operação policial que terminou com a morte de oito pessoas entre elas, três adolescentes na zona rural de Itatim, no interior da Bahia. O caso ocorreu em julho de 2023 e, segundo o Ministério Público estadual, há indícios de que as vítimas foram executadas, e não mortas em confronto, como registrado oficialmente.
Natural de Santa Terezinha, cidade vizinha a Itatim, Tingão já foi prefeito do município por dois mandatos consecutivos, entre 2013 e 2020, eleito pelo PSD. Durante sua trajetória política, declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 261 mil em 2012, valor que subiu para R$ 407 mil em sua reeleição.
Atualmente, o delegado mantém presença ativa nas redes sociais, onde soma mais de 14 mil seguidores. Costuma publicar vídeos de posicionamento político e apoio à atual prefeita Daiane Anjos (PSD). No período junino deste ano, chegou a compartilhar fotos com artistas como Léo Santana e Eduardo Costa.
Na última sexta-feira (11), Tingão foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pelo Ministério Público da Bahia, no âmbito da Operação Sangue Oculto. Agentes apreenderam celulares e equipamentos eletrônicos em imóveis ligados ao delegado em Itatim e Itaberaba.
Apesar da ofensiva, o policial nega envolvimento nas irregularidades. Em vídeo publicado em seu perfil, afirmou estar “tranquilo”, disse ter atuado “dentro da legalidade” e que “tudo será esclarecido”.
A chacina investigada ocorreu em 30 de julho de 2023, na localidade de Morro do Tigre. As vítimas foram duas mulheres, três homens e três adolescentes a mais jovem com apenas 13 anos. O Ministério Público afirma que há indícios de adulteração da cena do crime e requisitou o afastamento dos policiais militares que participaram da ação.
Durante a operação, documentos, celulares e armas foram recolhidos em cinco municípios baianos: Salvador, Feira de Santana, Itaberaba, Iaçu e Castro Alves. As apurações estão sob responsabilidade do Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp).


