Teve início nesta segunda-feira (27), no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, o júri popular dos sete policiais militares denunciados pelo Ministério Público do Estado da Bahia pela morte de Geovane Mascarenhas de Santana, crime ocorrido em 2014, no bairro do Lobato. A previsão é que o julgamento se estenda por até três dias.
Os policiais Cláudio Bonfim Borges, Jesimiel da Silva Resende, Daniel Pereira de Sousa Santos, Alan Morais Galiza dos Santos, Alex Santos Caetano, Roberto dos Santos Oliveira e Jailson Gomes Oliveira respondem por homicídio qualificado, com agravantes como motivo torpe e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Além disso, também são acusados de roubo qualificado e, com exceção de Jailson, de ocultação de cadáver.
De acordo com a denúncia do MPBA, Geovane, que tinha 22 anos, foi abordado por uma guarnição da Polícia Militar da Bahia no dia 2 de agosto de 2014, enquanto pilotava uma motocicleta. Os agentes teriam levado o jovem na viatura, junto com o veículo, até outro ponto da cidade, onde o crime foi cometido. Ainda segundo a investigação, o corpo foi incendiado na tentativa de dificultar a identificação e abandonado no Parque São Bartolomeu, após os policiais subtraírem a moto e o celular da vítima.
O caso chocou a população pela brutalidade. Os restos mortais foram localizados no dia seguinte, e imagens de câmeras de segurança ajudaram a identificar a participação dos agentes, que integravam as Rondas Especiais (Rondesp). O jovem foi decapitado, teve partes do corpo mutiladas e apresentava sinais de carbonização.
À época, os policiais alegaram que Geovane havia sido abordado por suspeita de envolvimento em um roubo na região da Calçada. Segundo a versão apresentada por eles, o jovem foi levado até a vítima do suposto crime, que não o reconheceu, e posteriormente liberado versão contestada pelas investigações.
O julgamento deve ouvir testemunhas, analisar provas reunidas ao longo dos anos e decidir sobre a responsabilização dos acusados em um dos casos mais emblemáticos de violência policial na Bahia.

