O capitão da Polícia Militar da Bahia, Mauro das Neves Grunfeld, foi novamente detido na manhã desta quinta-feira (11) durante a Operação Zimmer, uma megaação coordenada pela Polícia Civil para desarticular uma organização criminosa com atuação na Bahia e em outros cinco estados.
A ofensiva, conduzida pelo Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic) com apoio das polícias Militar, Federal e de unidades especializadas, cumpriu dezenas de mandados em Salvador, RMS e outras regiões.
Alvo recorrente de investigações
Esta não é a primeira vez que o oficial se torna alvo de operações policiais. Grunfeld já havia sido preso duas vezes em 2024 durante a Operação Fogo Amigo, que investigava um esquema de venda ilegal de armas e munições para facções da Bahia, Pernambuco e Alagoas.
Solto em diferentes momentos ao longo daquele ano, o capitão estava atualmente lotado na 82ª CIPM. Em maio deste ano, o STJ revogou uma das prisões preventivas e impôs medidas cautelares ao militar, como entrega de passaporte e apresentação periódica à Justiça.
As apurações apontam que o grupo do qual ele supostamente fazia parte, conhecido como “Honda”, movimentou quase R$ 10 milhões entre 2021 e 2023 com o comércio clandestino de armamentos, inclusive de uso restrito. Grunfeld teria atuado como negociador e movimentado valores expressivos em nome do esquema.
Além disso, o capitão também responde a um inquérito por homicídio doloso ocorrido em 2013, durante uma ação policial em Santa Cruz Cabrália. Nas redes sociais, ele costumava exibir uma vida de luxo, com viagens internacionais e passeios em embarcações na Baía de Todos-os-Santos.
A nova operação
A prisão desta quinta faz parte da Operação Zimmer, que mira uma estrutura criminosa que opera com:
- tráfico de drogas,
- lavagem de dinheiro,
- crimes violentos letais e patrimoniais,
- disputa de territórios,
- e uso de pessoas e empresas para ocultar a origem dos recursos.
Só na Bahia, estão sendo cumpridos 48 mandados de prisão e 49 de busca e apreensão. As ações se concentram em bairros como Sussuarana e Graça, além de localidades de Camaçari, como Arembepe e Jauá.
No total, a operação abrange mais de 90 mandados em Bahia, Sergipe, Espírito Santo, São Paulo, Santa Catarina e Pernambuco. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 100 milhões e o sequestro de bens ligados ao grupo.
Força-tarefa ampliada
A Operação Zimmer reúne diversas unidades da segurança pública, entre elas:
- Departamentos DIP, Denarc, DHPP, Depom, Depin e DPMCV;
- coordenações Core e COPJ;
- Superintendência de Inteligência da SSP-BA;
- DPT;
- Polícia Militar e Polícia Federal;
- Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).
A mobilização busca enfraquecer a estrutura financeira e logística da facção e interromper o fluxo de drogas e valores ilícitos que sustentam as atividades do grupo.


