Um sacerdote da Umbanda, conhecido na Bahia por seu trabalho espiritual, tornou-se alvo da Justiça após ser acusado de extorsão. A Justiça expediu mandado de prisão contra ele no fim de agosto, e a sentença determina 9 anos e 2 meses de reclusão em regime fechado.
A condenação se refere a fatos ocorridos em 2018, quando um empresário teria sofrido prejuízo de R$ 1,7 milhão após ser alvo de ameaças do líder espiritual.
Extorsão sob o pretexto espiritual
De acordo com familiares da vítima, que preferiram não se identificar, o empresário enfrentava uma forte depressão em meio a uma crise conjugal quando conheceu o sacedorte por meio de um anúncio em jornal. Buscando ajuda para salvar o casamento, acabou se aproximando do dele..
A partir desse contato, segundo a denúncia, o religioso se aproveitou da fragilidade emocional do empresário e iniciou as extorsões. Ele teria usado ameaças espirituais como forma de coação.
“Ele começou a dizer que a família iria morrer de câncer e que precisava fazer um trabalho para evitar isso. A partir daí, passou a exigir várias quantias”, relatou uma parente da vítima.
Ao longo de 2018, foram realizadas 15 transferências bancárias, totalizando R$ 1,7 milhão. O dinheiro, segundo a familiar, saiu dos cofres de uma empresa pertencente ao empresário, o que quase levou o negócio à falência.
Parte do prejuízo começou a ser recuperada após a penhora de um imóvel do sacedorte, localizado no Edifício Manhattan Square, condomínio de alto padrão em Patamares, em Salvador. A família agora aguarda que o mandado de prisão seja cumprido.
“Ele também enganou outras pessoas que não tiveram coragem de denunciar. Foram 45 anos de trabalho que quase se perderam. Felizmente, meu parente conseguiu se reerguer, mas ainda não vive em paz. Só queremos que a Justiça seja feita”, completou a fonte.
Defesa e posicionamento
A reportagem entrou em contato com o advogado Daniel Fonseca Fontes Passos, que representou o suspeito no processo. O defensor informou que não mantém mais contato com o ex-cliente e preferiu não comentar o caso.
Tentamos também ouvir o sacerdote por meio do contato disponível em seu site oficial, mas não houve retorno até o fechamento desta matéria. Na página, ele se apresenta como “o maior pai de santo do mundo” e afirma ter reconhecimento internacional. O espaço segue aberto para manifestações da defesa.
Nas redes sociais, em postagens de agosto, mês da expedição do mandado, ele publicou notas de repúdio, nas quais alega ser vítima de falsários que estariam usando seu nome para enganar e extorquir pessoas.


