O Tribunal do Júri de Dias d’Ávila, na Região Metropolitana de Salvador, teve sua sessão interrompida nesta terça-feira (25) após 13 advogados de defesa deixarem o plenário de forma simultânea, atitude que o juiz Bernardo Mário Dantas Lubambo classificou como “atentatória à dignidade da Justiça”. O magistrado determinou que o julgamento dos réus seja retomado em 24 de fevereiro de 2026, às 8h30, e enviará relatório à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para análise da conduta profissional.
Segundo a decisão, a saída do grupo foi premeditada. Um advogado, que não se identificou oficialmente, solicitou o adiamento da sessão em nome de Weslen Pablo Correia de Jesus, pedido que foi negado. Em seguida, entregou um documento de quase duzentas linhas declarando que todos os defensores iriam abandonar a sessão, evidenciando que a decisão já havia sido tomada antes do início do julgamento.
Entre os argumentos apresentados pela defesa estavam supostas falhas na segurança do fórum e falta de espaço para acomodar todos os advogados. O juiz refutou essas alegações, afirmando que havia policiais militares em número suficiente, cinco viaturas no local e assentos para os 13 advogados. Além disso, alguns profissionais filmaram o plenário, causando desconforto entre os jurados.
Como medida, os réus deverão indicar novos defensores em até cinco dias. Caso contrário, serão representados pela Defensoria Pública. O magistrado também solicitou que o advogado que atuou sem identificação oficial apresente o substabelecimento que alegou possuir.
O caso
A cantora gospel Sara Freitas foi assassinada em 24 de outubro de 2023, em um crime considerado premeditado, cruel e motivado por razões torpes, segundo o Ministério Público da Bahia. Gideão Duarte de Lima, ex-motorista de aplicativo, já foi condenado a 20 anos e 4 meses de prisão.
Três acusados ainda aguardam julgamento: Ederlan Santos Mariano, ex-marido da vítima e apontado como mandante; Weslen Pablo Correia de Jesus, conhecido como Bispo Zadoque e acusado de ser executor; e Victor Gabriel Oliveira Neves, que teria ajudado a conter a vítima durante o crime. Todos permanecem presos preventivamente e serão julgados no Tribunal do Júri de Dias d’Ávila.


