Atender o telefone e ouvir apenas silêncio antes da chamada cair virou um incômodo comum para milhões de brasileiros. Apesar de parecer algo banal, o problema está ligado às chamadas automatizadas, conhecidas como robocalls, que hoje representam mais de 60% de todas as ligações feitas no país.
Essas chamadas são disparadas por sistemas automáticos capazes de realizar centenas de ligações por minuto. Quando a pessoa atende, o sistema identifica se o número está ativo e, em muitos casos, encerra a ligação imediatamente. A prática é usada tanto por empresas de telemarketing, para otimizar atendimentos, quanto por criminosos, que validam números para aplicar golpes mais sofisticados.
Segundo especialistas, atender esse tipo de chamada não instala vírus nem permite acesso ao celular. O risco está na confirmação de que o número existe, o que aumenta o valor do contato em bancos de dados ilegais usados para fraudes, como falsos atendimentos bancários e golpes por voz.
Apesar de medidas adotadas pela Anatel e pelas operadoras — como monitoramento de grandes volumes de chamadas e tecnologias de autenticação de origem —, as robocalls seguem acontecendo. Isso porque criminosos utilizam técnicas como falsificação de números e linhas descartáveis, dificultando o rastreamento.
Para se proteger, especialistas recomendam ativar filtros de chamadas no próprio celular, evitar retornar ligações suspeitas, não fornecer dados pessoais por telefone e desconfiar de contatos que criam senso de urgência. Autoridades reforçam que empresas legítimas não solicitam senhas, códigos ou dados bancários por ligação.


