Com apoio de 19 entidades estaduais, manifesto defende descentralização, renovação e eleições para reconduzir a CBF a um caminho de estabilidade institucional.
A destituição de Ednaldo Rodrigues da presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), determinada nesta quinta-feira (15) pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, provocou uma reação imediata no cenário esportivo. Em resposta, 19 federações estaduais divulgaram um manifesto conjunto pedindo a superação da instabilidade que há anos marca a entidade e defendendo uma nova fase de governança para o futebol brasileiro.
O documento, intitulado “Manifesto pela Estabilidade, Renovação e Descentralização do Futebol Brasileiro”, foi divulgado na sede da CBF, no Rio de Janeiro, durante a noite. Embora não mencione diretamente o nome de Ednaldo, o texto propõe “virar a atual página de judicialização e instabilidade” que compromete o bom funcionamento da entidade e o desenvolvimento do futebol nacional.
A carta foi assinada por aproximadamente 70% das federações estaduais. Ficaram de fora os representantes de São Paulo, Bahia, Pernambuco, Minas Gerais, Espírito Santo, Tocantins, Amapá e Mato Grosso. Um dos dirigentes signatários afirmou ao site GE que o grupo ainda não definiu quem apoiará para a presidência da entidade, mas que o nome surgirá de consenso entre os integrantes.
Fernando Sarney, vice-presidente da FIFA e filho do ex-presidente José Sarney, foi nomeado interventor e assumiu temporariamente o comando da CBF. Ele afirmou que convocará novas eleições “o mais rápido possível”. Dirigentes como Rubens Lopes, da Federação do Rio de Janeiro (Ferj), estiveram na entidade para dialogar com Sarney e apoiar o processo de transição.
Enquanto isso, Ednaldo Rodrigues tenta reverter a decisão no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. É a segunda vez que ele é afastado da presidência da CBF por decisão judicial. No início da semana, ainda no cargo, reuniu representantes de federações para discutir o cenário político, mas não conseguiu obter apoio formal.
No manifesto, os dirigentes apontam os principais problemas estruturais do futebol brasileiro e propõem uma reestruturação profunda. “Precisamos de um calendário equilibrado, arbitragem profissionalizada, gramados de qualidade, segurança nos estádios e competições fortalecidas”, diz um trecho.
O texto também destaca a necessidade de descentralização das decisões e da valorização das instâncias que compõem o ecossistema do futebol:
“É fundamental garantir estabilidade institucional à CBF. Precisamos virar a atual página de judicialização e instabilidade que há mais de uma década compromete o bom funcionamento da entidade e o avanço do futebol brasileiro. É também momento de resgatar a autonomia interna da CBF, hoje sufocada por uma estrutura excessivamente centralizada e desconectada das instâncias que compõem o ecossistema do futebol nacional.”
Os presidentes das federações afirmam ainda que é hora de renovar ideias, práticas e lideranças na CBF. Defendem a profissionalização definitiva da gestão esportiva e a reconstrução da imagem da entidade:
“A CBF precisa ser exemplo de governança, eficiência e transparência e também precisa voltar a ser a casa de todos que constroem o futebol brasileiro, com um ambiente saudável, inspirador e descentralizado, em que cada um possa contribuir ativamente para a melhoria do esporte que constitui verdadeiro patrimônio nacional.”
Encerrando o documento, os signatários se comprometem com a construção de uma candidatura alinhada a esses princípios. “Queremos uma CBF forte, querida por dentro, admirada por fora e novamente amada por todos que fazem do futebol a alma do nosso país”, conclui o manifesto.


