Há poucos dias, Matheus Cunha assistia do banco ao empate do Brasil contra o Marrocos na estreia da Copa do Mundo de 2026. Agora, o cenário mudou completamente. Com a camisa 9 da Seleção Brasileira, o atacante foi decisivo na vitória por 3 a 0 sobre o Haiti, marcou dois gols e se colocou como uma das principais apostas de Carlo Ancelotti para a sequência do Mundial.
A atuação na Filadélfia representou o auge de uma temporada em que o paraibano confirmou sua evolução como atacante de alto nível. Contratado pelo Manchester United após se destacar na Inglaterra, Cunha teve números importantes em sua primeira temporada pelos Red Devils: disputou 33 partidas da Premier League, marcou 10 gols e deu duas assistências, sendo um dos nomes mais influentes do setor ofensivo da equipe.
Além dos gols, o brasileiro mostrou uma característica que chama atenção dos treinadores: a capacidade de participar da construção das jogadas. Na liga inglesa, terminou a temporada com 90 finalizações, 35 delas na direção do gol, média superior a três chutes por partida, além de se destacar pela movimentação e pela pressão sem bola.
Esse estilo de jogo foi justamente o que agradou Ancelotti. Diferente de um centroavante fixo, Cunha tem liberdade para sair da área, criar espaços e se conectar com os pontas e meias, algo que apareceu claramente contra o Haiti.
O momento especial na Copa também teve uma comemoração com significado pessoal. Após balançar as redes duas vezes, o atacante repetiu o gesto de “surfar”, celebração que leva dos momentos de lazer para os gramados.
Nascido em João Pessoa, na Paraíba, Cunha conheceu o surfe durante férias em Baía Formosa, no Rio Grande do Norte. O contato com o esporte aconteceu após uma amizade criada com o campeão olímpico e mundial Ítalo Ferreira. Desde então, passou a utilizar as ondas como uma forma de fugir da pressão do futebol e manter o equilíbrio mental.
A relação entre os dois vai além da amizade. Assim como o surfista, Cunha também possui uma medalha de ouro olímpica conquistada em Tóquio, feito que marcou uma das etapas mais importantes de sua trajetória no esporte.
Agora, o atacante tenta transformar a boa fase individual em protagonismo com a camisa amarela. Desde sua primeira convocação para a Seleção principal, em 2021, Cunha precisou disputar espaço em diferentes ciclos, passou por momentos de críticas e irregularidade, mas chega à Copa de 2026 vivendo uma das melhores fases da carreira.
Com o Brasil buscando confirmar a classificação e terminar a fase de grupos na liderança, o atacante chega ao duelo contra a Escócia cercado de expectativas. Entre gols, confiança recuperada e a tranquilidade encontrada nas ondas, Matheus Cunha tenta conduzir a Seleção em sua própria maré de sucesso.

