A condenação do influenciador digital Dilson Alves da Silva Neto revelou novos elementos sobre o suposto esquema de rifas virtuais investigado pela Justiça do Rio Grande do Sul. Entre os fatos apontados na sentença está a alegada criação de uma vencedora fictícia para simular a entrega de um veículo de luxo sorteado em uma das ações promovidas nas redes sociais.
Segundo o Ministério Público, a mulher apresentada como ganhadora de um Porsche Macan avaliado em aproximadamente R$ 500 mil não existiria. A publicação divulgada nas redes sociais mencionava uma suposta vencedora identificada como “Silmara Noeli”, mas a investigação concluiu que a personagem teria sido criada para dar aparência de legitimidade ao sorteio.
De acordo com a Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre, o influenciador teria utilizado o telefone de uma pessoa ligada à sua equipe para encenar uma ligação com a suposta contemplada. A estratégia, conforme os investigadores, serviu para convencer seguidores de que o prêmio havia sido efetivamente entregue.
As apurações apontam ainda que os sorteios não possuíam datas previamente definidas, o que, segundo o Ministério Público, permitiria manipulações relacionadas aos números vencedores. A acusação sustenta que o esquema possibilitava o controle dos resultados e a criação de ganhadores fictícios para validar as promoções.
Condenação
A Justiça condenou Nego Di pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e promoção de loteria ilegal. A pena fixada foi de 14 anos e 6 meses de prisão em regime fechado, além de mais 1 ano e 15 dias pela prática de loteria ilegal.
A esposa do influenciador, Gabriela Vicente de Sousa, também foi condenada. Conforme a decisão judicial, ela recebeu pena de 8 anos e 4 meses de prisão por lavagem de dinheiro.
Segundo a denúncia, o casal teria promovido ao menos 34 sorteios entre novembro de 2022 e maio de 2024, oferecendo premiações em dinheiro e bens de alto valor divulgados por meio das redes sociais.

