Denúncias contra o influenciador paraibano Hytalo Santos, destacadas pelo youtuber Felca no vídeo “Adultização”, revelam supostas práticas de exploração, humilhação e ameaças a ex-funcionários. Além de investigações por suposta exploração infantil pelo Ministério Público da Paraíba, o Ministério Público do Trabalho também apura as acusações trabalhistas, segundo o portal Extra.
Pelo menos 13 ex-colaboradores, entre seguranças e assessoras, relataram à Justiça atrasos salariais, uso de bens e cartões de crédito pessoais, além de jornadas abusivas.
Williana Lucena, que trabalhou como assistente pessoal a partir de abril de 2023 sem contrato formal, relatou que recebia R$ 3 mil, com atrasos frequentes e pagamentos realizados por PIX de terceiros. Entre suas tarefas, estavam levar crianças à escola, acompanhar consultas médicas e fazer compras, muitas vezes usando o cartão de crédito de sua mãe, acumulando dívida de R$ 15 mil. Ela afirma ter sido demitida após se recusar a dirigir exausta, com crianças no carro, e diz ter sido acusada de tentar roubar o veículo.
Outra ex-funcionária, Larissa Araújo, recebia R$ 8 mil para organizar a agenda do influenciador e intermediar contatos. Ela afirma ter trabalhado até 14 horas por dia, ser obrigada a alugar um carro usado pelo influenciador e seu marido, além de ter multas e gastos acumulados em seu nome. Larissa também relatou ter recebido um apelido humilhante dentro da residência, considerado de cunho racista por sua defesa.
Williana, que teve sua imagem associada a uma das mães citadas no vídeo, negou qualquer envolvimento e afirmou ter sido alvo de ameaças:
“Eu nunca seria conivente com nada disso. Jamais. Já senti na pele o que é ser abusada e não compactuaria com uma coisa dessas. […] Só peço que as pessoas entendam que eu não posso falar sobre nada do que vivi lá dentro porque fui obrigada a assinar um termo de sigilo. Meu maior arrependimento, inclusive. Mas aceitei um acordo porque já estava sem comida em casa”, declarou.


