Operadores do mercado de petróleo se preparam para um possível salto nos preços com a reabertura das negociações, enquanto o mundo acompanha atentamente a resposta do Irã aos ataques aéreos dos Estados Unidos. A região, responsável por cerca de um terço da produção global de petróleo, enfrenta um momento de alta volatilidade, com risco de interrupções nos fluxos de petróleo bruto.
Após uma semana marcada por fortes oscilações, o preço do barril Brent acumulou alta de 11% desde que Israel iniciou ataques contra o Irã. O aumento da tensão após a ofensiva dos EUA elevou as preocupações sobre o fechamento do estratégico Estreito de Ormuz, passagem vital para cerca de 20% do petróleo mundial, incluindo o fornecimento de importantes membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Até o momento, as exportações iranianas continuam estáveis e, surpreendentemente, com aumento desde o início dos ataques em 13 de junho. Contudo, analistas alertam que a sustentação da alta depende da escalada das ações do Irã, que já ameaçou retaliar contra interesses americanos e infraestruturas petrolíferas na região.
Harry Tchilinguirian, chefe de pesquisa do Onyx Capital Group, ressalta que “a bola está com o Irã”, e a direção dos preços será ditada pela forma como o país escolher responder. Já Saul Kavonic, analista de energia, observa que a situação pode levar o preço do petróleo a alcançar US$ 100 por barril, caso o Irã concretize ameaças de retaliar infraestruturas e dificultar a passagem pelo Estreito.
A volatilidade do mercado levou operadores a encerrar posições em contratos futuros em ritmo acelerado, refletindo a insegurança diante das incertezas geopolíticas. Ryan Fitzmaurice, estrategista do Marex Group, destaca que a volatilidade e o volume de contratos em aberto serão os indicadores-chave nos próximos dias.
Além dos impactos diretos no preço do petróleo, a instabilidade também elevou os custos do transporte marítimo, com aumento de cerca de 90% no valor para contratar navios que fazem o trajeto do Oriente Médio para a China, além de disparada nos prêmios de seguros e riscos crescentes para embarcações devido a bloqueios de sinais GPS na região.
Apesar das tensões, o mercado guarda reservas de emergência e precedentes de estabilização rápida. Em 2019, ataques à infraestrutura da Arábia Saudita interromperam 7% da oferta global, mas a normalização veio em poucas semanas após reposição dos estoques. Esse cenário pode limitar a escalada dos preços caso interrupções efetivas sejam controladas.
John Kilduff, sócio da Again Capital, destaca que o evento geopolítico está impulsionando a alta no curto prazo, mas o verdadeiro impacto dependerá da intensidade e duração da resposta iraniana.


