A discussão sobre os altos custos dos festejos juninos ganhou força após declarações do prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), durante um encontro da União dos Prefeitos da Bahia (UPB). Na ocasião, o gestor alertou para o crescimento acelerado das despesas com o São João e afirmou que, mantida a atual escalada de valores, até municípios de médio porte teriam dificuldades para sustentar o evento nos próximos anos.
“Se continuar desse jeito, em pouco tempo nenhum município da Bahia vai conseguir fazer São João. Os custos estão fugindo do controle”, afirmou o prefeito, ao defender a criação de critérios e limites para a contratação de artistas.
Apesar do discurso, os dados oficiais mostram que Jequié esteve entre as cidades que mais investiram na festa em 2025. O município destinou R$ 10,21 milhões aos festejos juninos, ficando atrás apenas de Cruz das Almas, que gastou R$ 10,56 milhões. As duas cidades realizaram cinco dias de programação, entre 20 e 24 de junho.
O maior cachê pago em Jequié foi ao cantor Wesley Safadão, que recebeu R$ 1,1 milhão para se apresentar no encerramento do evento. Outros nomes de destaque nacional também figuraram entre os contratos mais elevados, segundo informações do Painel Junino do Ministério Público da Bahia (MP-BA).
Entre os valores pagos estão:
- Ana Castela: R$ 800 mil
- Alok: R$ 750 mil
- Xand Avião: R$ 700 mil
- Natanzinho Lima: R$ 600 mil
- Henry Freitas: R$ 550 mil
- Murilo Huff: R$ 500 mil
- Calcinha Preta: R$ 490 mil
- Iguinho e Lulinha: R$ 400 mil
- Os Caras do Arrocha: R$ 350 mil
A lista chama atenção por não incluir artistas baianos entre os dez cachês mais altos do evento. Além disso, nomes tradicionais do forró gênero historicamente associado ao São João receberam valores consideravelmente menores.
Artistas como Dorgival Dantas e Limão com Mel tiveram cachês de R$ 300 mil, enquanto Flávio José e Adelmário Coelho receberam R$ 250 mil cada. Já Luiz Caldas, referência nacional da música baiana e reconhecido como o Pai do Axé, foi contratado por R$ 200 mil.
Os números reacendem o debate sobre prioridades, critérios de contratação e o impacto financeiro dos festejos juninos nos cofres públicos, especialmente em municípios que enfrentam limitações orçamentárias ao longo do ano.


