Uma investigação da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal (PF) revelou indícios de que um grupo criminoso foi beneficiado em um pregão da Prefeitura de Salvador, com o envolvimento de servidores públicos em um esquema de desvio de recursos e lavagem de dinheiro. A ação faz parte da Operação Dia Zero, deflagrada na manhã desta quinta-feira (12), e teve como alvo principal a Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
De acordo com a CGU, o núcleo criminoso operava por meio de contratos com organizações sem fins lucrativos e empresas privadas. Um dos principais contratos investigados é o de nº 193/2013, firmado entre a prefeitura e o Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS), para a prestação de serviços de tecnologia da informação na área da saúde.
O órgão de controle aponta que o pregão que originou o contrato foi conduzido de forma a favorecer o INTS, cuja movimentação financeira chamou a atenção das autoridades nos últimos anos. A investigação revelou ainda que a entidade teria simulado pagamentos e feito transferências a empresas privadas ligadas a servidores públicos e funcionários do próprio instituto, com o objetivo de mascarar o desvio de verbas públicas.
A operação mobilizou cerca de 130 agentes da PF e 18 auditores da CGU. Foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em Salvador e em outros municípios baianos, como Mata de São João e Itapetinga, além de ações em Maceió (AL). Endereços residenciais, prédios comerciais e a sede da SMS foram alvos das diligências. Houve ainda bloqueio de bens no valor de R$ 100 milhões e o afastamento de agentes públicos de seus cargos cujos nomes não foram divulgados.
A Prefeitura de Salvador informou, por meio de nota, que o contrato com o INTS teve vigência entre 16 de outubro de 2013 e 12 de outubro de 2019, e que o servidor citado na investigação é concursado, tendo atuado à época como gestor fiscal do contrato. A gestão municipal afirmou estar à disposição para colaborar com as investigações e reafirmou seu compromisso com a ética e a legalidade na administração pública.
O INTS também se manifestou, dizendo estar “inteiramente à disposição” das autoridades e reiterando que o contrato investigado está encerrado desde 2019.


