A morte de Marcos Túlio, de 5 anos, ocorrida em março deste ano na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Itapuã, em Salvador, gerou denúncias graves contra três médicas e o diretor da unidade. A mãe do menino, Priscilla Vaz, acusa a equipe de falhas no atendimento e aponta suspeitas de falsificação de prontuário. O caso foi investigado pela Polícia Civil e resultou em indiciamentos por homicídio culposo, falsidade ideológica e falsificação de documento público.
Segundo Priscilla, o filho começou a passar mal no dia 27 de março, com febre, vômito, dor de cabeça e dificuldade para respirar. Ele foi atendido pelas médicas Ana Paula e Ana Verena, que prescreveram soro, dipirona e medicação para enjoo. Apesar de exames alterados, Marcos recebeu alta com diagnóstico de suspeita de dengue.
No dia seguinte, o quadro se agravou. A mãe voltou com a criança à unidade, onde ele chegou com saturação de 56 e foi levado diretamente para a sala de reanimação. “Meu filho já estava em parada cardíaca. Reviver esse dia é doloroso demais”, relatou. Marcos não resistiu e morreu.
O laudo do Instituto Médico Legal apontou meningite como causa da morte. Após reunir documentos da unidade, a família identificou indícios de que exames foram adulterados. Uma das médicas é acusada de assinar como pediatra sem possuir a especialização. O prontuário também registrava a realização de um raio-X que, segundo as investigações, nunca ocorreu.
Com base no inquérito conduzido pela 12ª Delegacia Territorial, a médica Ana Paula foi indiciada por homicídio culposo. Já Ana Verena responde por homicídio culposo, falsidade ideológica e falsificação de documento público. O diretor da UPA também foi indiciado por falsificação. O processo foi encaminhado à Justiça em 11 de setembro.
Em resposta, a Secretaria Municipal da Saúde informou que já tomou medidas administrativas, mas que detalhes do caso permanecem em sigilo. A pasta afirmou ainda que mantém compromisso com a transparência e a melhoria da assistência à população.


