O medo faz parte da rotina de quem vive na Rua Almirante Graça Aranha, na Ilha Amarela, Subúrbio de Salvador. Há cerca de 40 anos, os moradores aguardam a construção de uma encosta definitiva para conter o barranco que ameaça desabar a qualquer chuva mais forte. Até hoje, no entanto, o que receberam foi apenas a instalação de lonas — medida emergencial que, segundo eles, não oferece segurança real.
“Estamos mais uma vez aqui mostrando a rua. Solicitamos, eles vieram, colocaram mais uma vez a lona; ano passado fizeram a mesma coisa. Mas o que precisa é fazer uma encosta, pois as casas estão todas na beira do barranco, prestes a desmoronar”, relata um morador em vídeo.
A moradora Meire Costa conta que o problema se arrasta há quatro décadas, e que a própria comunidade precisou improvisar obras para tentar conter os riscos. “Um carro do Samu nem conseguiu subir por causa do peso e das condições da ladeira. Em qualquer chuva, é desespero: a gente corre para a Codesal pedir lona, mas isso não resolve nada. Queremos uma solução permanente, não improvisos”, desabafa.
Segundo o presidente da associação de moradores, Elionaldo Gomes, já houve estudos de solo, orçamentos e ofícios encaminhados à Prefeitura, mas nada saiu do papel. “Ano após ano, a encosta vai se deteriorando e nada é feito. Já protocolamos tudo que podíamos. A comunidade acha que só falta vontade política”, afirma.
Ele ainda destaca que obras como o projeto Mané Dendê e a construção de praças próximas à região foram executadas, enquanto o investimento na encosta segue esquecido.


