A Festa de Iemanjá, uma das maiores manifestações religiosas e culturais de Salvador, voltou a evidenciar um problema recorrente no bairro do Rio Vermelho: o excesso de lixo espalhado pelas ruas e calçadas após a concentração de milhares de pessoas. Na manhã desta segunda-feira (2), a reportagem do BNEWS encontrou diversos pontos tomados por copos descartáveis, garrafas, embalagens e restos de alimentos.
As áreas mais afetadas foram justamente aquelas com maior fluxo de público ao longo da orla. Em muitos trechos, a ausência de lixeiras ou a falta de sinalização adequada contribuiu para o descarte irregular. Mesmo onde havia recipientes para lixo, ambulantes e frequentadores relataram que eles ficaram cheios rapidamente ou eram insuficientes para a demanda do evento.
Apesar do cenário de sujeira, equipes da Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb) foram vistas atuando durante os festejos, realizando a coleta e a varrição das vias. Ainda assim, o volume de resíduos acumulados reforçou a percepção de que a estrutura disponível não acompanhou o tamanho da celebração.
Moradores, trabalhadores e comerciantes da região destacaram que o problema se repete a cada grande evento popular na capital baiana, resultado da soma entre planejamento limitado e a falta de cuidado de parte do público. O impacto vai além do aspecto visual e levanta preocupação ambiental, sobretudo por se tratar de uma festa diretamente ligada ao mar e à preservação das águas.
O contraste entre a fé, a beleza dos rituais e o lixo espalhado pelo bairro reacende o debate sobre a responsabilidade compartilhada entre poder público e participantes para garantir que a celebração aconteça de forma mais limpa e sustentável.


