A construção de uma unidade escolar voltada ao atendimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista permanece interrompida no bairro do Stiep, em Salvador, mesmo após quase três anos do prazo inicial de entrega.
Iniciada em 2021, a obra deveria ter sido concluída em 2023. No entanto, o projeto ainda não foi finalizado e segue sem previsão concreta de retomada efetiva. A proposta é que o espaço funcione com gestão da Associação dos Amigos do Autista, que também terá sede no local.
O investimento inicial previsto para a construção foi de R$ 12 milhões, sendo a maior parte oriunda do Ministério da Educação. Apesar disso, há possibilidade de aumento no custo total até a conclusão da obra.
Segundo a Secretaria Municipal de Educação de Salvador, o contrato com a empresa responsável foi encerrado devido à necessidade de ajustes no projeto original — mudanças que não tiveram detalhes divulgados. Um novo processo licitatório está em andamento para contratação de outra construtora, o que pode impactar prazos e valores.
O projeto prevê a construção da Escola Municipal do Curralinho em um terreno de 6,7 mil metros quadrados, com estrutura composta por 20 salas de aula, espaço multiuso, acessibilidade plena, além de piscina e quadra poliesportiva.
De acordo com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, cerca de 60% dos recursos já foram repassados, somando R$ 5,7 milhões. Ainda restam pouco mais de R$ 3,8 milhões para atingir o valor inicialmente pactuado, de R$ 9,5 milhões. O termo de compromisso da obra segue válido até 30 de setembro, com acompanhamento federal em andamento.
A nova estimativa da Smed aponta para conclusão no segundo semestre deste ano. Quando pronta, a unidade terá capacidade para atender mais de 600 alunos por turno.
Cenário do autismo na Bahia
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que a Bahia possui a quarta maior população de pessoas diagnosticadas com autismo no país, com cerca de 144,9 mil registros.
Entre os municípios, Salvador lidera em número de casos, seguida por Feira de Santana e Vitória da Conquista. O levantamento também aponta que três em cada dez pessoas com diagnóstico têm até 14 anos.
Outro dado relevante mostra desigualdade no acesso à educação: enquanto mais de 98% das crianças de 6 a 14 anos estavam matriculadas em 2022, esse índice cai para cerca de 93% entre aquelas com TEA.

